Transição Energética: em clima de mudança!

A preocupação com as mudanças climáticas é crescente em todo o globo e junto com ela novos mecanismos de mitigação são desenvolvidos nas mais diversas áreas para tentar frear ou reduzir os efeitos do aquecimento global. No setor elétrico, a transição energética vem ganhando força e se tornou uma das formas de minimizar a  emissão de Gases de Efeito Estufa (GEEs). Mas antes de adentrarmos mais a fundo nesse assunto, vocês sabem o que significa “matriz energética”?

A matriz energética representa o conjunto de fontes de energia (renováveis e não renováveis) que atendem uma dada população, seja ela pertencente a uma cidade, estado ou país. Globalmente, a matriz energética é, em sua maioria, formada a partir de fontes não renováveis (petróleo, carvão e gás natural), enquanto um pequeno percentual advém, por exemplo, da hidráulica, solar e eólica (renováveis). Segundo dados da Agência Internacional de Energia, 75% da matriz energética global é constituída por fontes que contribuem para a emissão de GEEs e, consequentemente, potencializam o aquecimento global. Apesar disso, a matriz energética brasileira se destaca positivamente no percentual de fontes renováveis, que corresponde a quase metade de toda a matriz. (cerca de 44%, segundo o Balanço Energético Nacional – BEN). 

A matriz elétrica brasileira é uma das mais limpas do mundo, isso porque mais de 80% da produção de energia elétrica do país advém de fontes renováveis. Sendo assim, a solução para um futuro mais sustentável também se dá através da substituição de sistemas de produção/consumo de energia não renováveis para fontes de energia limpa, caracterizando, portanto, o processo de transição energética.

O que é transição energética?

É uma mudança de paradigma que inclui não apenas a geração de energia, mas também o consumo e reaproveitamento da mesma. O conceito baseia-se na migração de fontes de energia poluentes – como combustíveis fósseis – para fontes de energia renováveis, como hidro, vento, sol e biomassa.

O foco da transição energética estende-se ao meio ambiente, gestão de resíduos, eficiência energética, digitalização e outros meios necessários para atingir o objetivo comum de redução das emissões de GEE e suas consequentes influências nas mudanças climáticas. Entretanto, este movimento apresenta alguns desafios, entre eles, os 4D’s da Transição Energética: descarbonização, descentralização, digitalização e democratização. 

Alinhado a estes desafios, surgem termos como: meta Net-zero, TCFD, carbono neutro, carbon free e outros que visam a total redução da emissão de poluentes até meados de 2050. Para atingimento de tais objetivos, essas são pautas que vêm se tornando cada vez mais protagonistas no setor, tendo destaque em eventos como Brazil Wind Power, COP27 e demais.

Entenda melhor os desafios da transição energética  

Sem dúvida, fica claro que os benefícios da transição energética vão além da mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. No entanto, essa transição ocorre de forma lenta e gradual sobretudo devido aos desafios sociais, econômicos, ambientais e de infraestrutura enfrentados pelo setor elétrico. Dentre estes, os maiores são: 1) atender a demanda energética de toda a população e 2) assegurar que as fontes renováveis sejam mais baratas que os recursos energéticos finitos. 

A entrada das energias renováveis no mercado torna-se ainda mais complicada devido à dificuldade em atender a demanda de forma eficaz como as demais fontes, resultando em uma desvantagem em relação ao uso de combustíveis fósseis, que não dependem de variáveis meteorológicas. 

Contudo, os níveis de geração dos parques eólico e solar, por exemplo, apresentam grandes flutuações a depender das condições atmosféricas no local de instalação. Em dias nublados, a geração solar se restringe entre 10 e 25% da sua capacidade de geração, além do calor e umidade que também afetam seu potencial de produção. Já para a geração eólica offshore, as tempestades severas que ocorrem sobre os oceanos podem causar sérios danos às turbinas além da corrosão da infraestrutura provocada pela salinidade da água. A energia hidráulica também está refém das condições atmosféricas, devido à sua dependência com o regime de chuvas. 

A construção de uma usina solar possui um custo inicial por volta de 4 a 5 milhões de reais/MW, enquanto em uma termelétrica, esse valor cai para 600 mil reais/MW. Além da implantação, a escolha adequada do local de construção também é um grande desafio a ser considerado. Mesmo com uma base de dados sólida, é necessário levar em conta o efeito das mudanças climáticas na implementação de tecnologias renováveis tendo em vista o impacto direto nos recursos hídricos e no aumento da frequência e intensidade de eventos extremos. Estudos recentes já verificaram o efeito das mudanças nos padrões de precipitação nas vazões de importantes usinas hidrelétricas do país, o que nos aciona um alerta frente aos desafios climáticos que surgem no processo de expansão e transição energética.

Como as empresas de energia estão lidando com esse movimento? 

Ainda que existam esses desafios, a transição energética é necessária. Muitas empresas do setor de energia divulgam anualmente em seus relatórios de sustentabilidade  o que elas estão fazendo para de fato realizarem essa transição. Para dar um exemplo, a EDP – Energias do Brasil divulgou em seu último relatório de sustentabilidade anual (2021), que possui como meta ser 100% verde até 2030 e, ainda, investir R$ 3 bilhões em energia solar até 2025, aumentando em 1 GW a capacidade de energia instalada. Neste aspecto, alguns grandes passos já estão sendo dados, como por exemplo, em 2021 a EDP já tinha 70% do seu portfólio de geração de energia sendo renovável. Além disso, a empresa já começou a atualizar sua frota de caminhões para serem 100% elétricos. Outro grande exemplo é a empresa CPFL Energia, no qual já possui aproximadamente 96% de sua geração de energia sendo limpa e, ainda, possui como política desde 2010 o investimento apenas em fontes renováveis de geração. 

Qual a agenda climática global ainda para essa década acerca deste tema? 

Em vista de discutir a agenda global de transição energética, a COP27 – a maior e mais importante conferência do clima do planeta – ocorrerá no mês de novembro no Egito e possui um dia específico para tratar sobre as temáticas de energia. No dia 15 de novembro, os governos devem apresentar o que já está sendo feito e o planejamento futuro de suas ações para atingir uma economia de baixo carbono. 

Neste aspecto, o Brasil deve ser um dos protagonistas em termos de energia verde, especialmente por já possuir uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e ainda pelo seu potencial de geração em termos de energia eólica offshore e hidrogênio verde.

Você tem interesse nesse tipo de conteúdo e quer saber mais? A Climatempo iniciou uma comunidade de discussões sobre mudanças climáticas e sustentabilidade. É uma comunidade totalmente interativa com intenção de criarmos discussões relevantes e fazer networking. Quer fazer parte desta comunidade e receber nossa newsletter por e-mail e fazer parte do nosso grupo no Whatsapp? Clique aqui e se inscreva! Você também pode entrar em contato conosco pelo e-mail: verticalenergia@climatempo.com.br

REFERÊNCIAS:

Balanço Energético Nacional 2022

Como montar uma fazenda de energia solar? | Canal Solar

https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/10656/10656_7.PDF

AUTORES:

Anna Carolina Bazzanela – Graduanda em Meteorologia pela UFRJ

Lara Marques – Analista Comercial da Climatempo Energia

Rafael Benassi – Analista Comercial da Climatempo Energia

Luciano Ritter – Analista Comercial da Climatempo Energia

Pedro Regoto – Especialista em Clima da Climatempo

Vitor Hassan – Head de Energia

Modelos Climáticos: CMIP5 e CMIP6 para o setor de energia, qual utilizar?

O clima está mudando e cada vez mais é possível perceber essas mudanças no nosso dia a dia, seja pela atuação de ondas de calor atípicas, chuvas com volumes extremos, entre outros. Neste aspecto, a grande questão que surge é: conseguimos nos preparar para as mudanças futuras do clima? É possível entender as tendências para as próximas décadas? A resposta é sim! Existem modelos numéricos que simulam o clima futuro a partir de diferentes dados de entrada, o que possibilita a avaliação das tendências futuras de diferentes pontos de vista de aquecimento global, crescimento populacional, entre outros diversos parâmetros até mesmo voltados para o desenvolvimento socioeconômico.

Existem diferentes tipos de modelos numéricos e vamos abordar aqui especialmente aqueles na temática de mudanças climáticas. Normalmente, estes modelos apresentam simulações do clima  passado, presente e futuro. Por meio de dados meteorológicos já coletados, tais modelos conseguem simular o clima passado e presente, e a partir disso, projetar o clima no futuro de acordo com cenários pré-estabelecidos. Normalmente, tais modelos possuem projeções do clima até 2100, em alguns casos chegando a 2300. Desde 1995, um dos projetos de modelos numéricos mais conhecidos é o Coupled Model Intercomparison Project – mais conhecido como CMIP – que é utilizado pelo Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) para avaliar o comportamento do clima nas próximas décadas, visando auxiliar os governos mundiais na tomada de decisão com informações científicas sobre o clima e as mudanças climáticas.

Atualmente, o CMIP está em sua fase 6 (CMIP6), onde foram consideradas uma série de atualizações com relação a sua fase 5 (CMIP5). As projeções do CMIP6 diferem do CMIP5 pelas atualizações feitas nos modelos climatológicos, consideração dos cenários socioeconômicos e também pela atualização das tendências mais recentes de emissões de gases poluentes. De maneira geral, os modelos do CMIP6 possuem uma resolução mais alta (maior detalhamento) e melhorias nos processos dinâmicos que regem a atmosfera. Este conjunto de modelos do CMIP6 é a ferramenta mais atual disponível para avaliação do impacto das mudanças climáticas.

Outra diferença está na quantidade de modelos que envolvem as fases do CMIP. O CMIP5 é composto por aproximadamente 40 versões de modelos, enquanto o CMIP6 é formado por um número ainda maior – muitos ainda estão sendo avaliados para integrar o conjunto. Uma das grandes questões é qual modelo utilizar para mapear as tendências climáticas para uma localidade específica. Em suma, visto que estes modelos possuem simulações para o período histórico, presente e futuro, é possível utilizar métodos estatísticos para determinar o melhor modelo para cada localidade com base em seu período histórico. Desta forma, uma vez que determinado modelo climático representa melhor o clima passado em determinada região, pode-se utilizá-lo para verificar as projeções futuras sobre a mesma localidade. 

A Climatempo, por meio de seu laboratório de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, desenvolveu uma metodologia própria e exclusiva para classificar os modelos climáticos conforme a região de interesse e, assim, possui mapeado quais são os melhores modelos para cada região do Brasil, de forma que possam ser mapeados os riscos climáticos futuros de maneira mais assertiva. Outro aspecto importante é a capacidade da Climatempo de aumentar ainda mais o detalhamento destes modelos. Atualmente, estes modelos são espacializados em grades que podem chegar até 200 x 200 km, enquanto a Climatempo pode chegar a informações de até 5 x 5 km, possibilitando informações mais precisas e detalhadas para cada localidade.

Todos estes processos auxiliam no levantamento e quantificação dos riscos climáticos que determinado ativo ou localidade possa estar inserido. Quando se considera uma usina geradora de energia renovável, pode-se avaliar, por exemplo, o potencial de chuva na localidade, impactando não só os reservatórios, mas também indiretamente relacionado a usinas solares e eólicas. Da mesma forma, se considerarmos uma distribuidora de energia, pode-se avaliar não só a chuva, mas também as tendências do vento para a próxima década e estimar de que forma isso poderia impactar os indicadores de continuidade da empresa. Um ponto importante a ser ressaltado é que não se deve olhar apenas para o futuro, é importante conhecer o histórico climático da região de maneira que possa se comparar se o que está sendo projetado no futuro é mais significativo do que já ocorre no local de interesse. 

Uma vez mapeado e quantificado todos os riscos climáticos na região, é possível planejar ações e investimentos para que os efeitos dos extremos climáticos sejam mitigados e os ativos tenham uma maior resiliência, aumentando a eficiência operacional do mesmo. A Climatempo possui grande expertise no levantamento e quantificação dos riscos climáticos no local onde os ativos se encontram. Caso tenha interesse em conhecer nosso portfólio voltado a riscos climáticos, entre em contato com um consultor.

Você tem interesse nesse tipo de conteúdo e quer saber mais? A Climatempo iniciou uma comunidade de discussões sobre mudanças climáticas e sustentabilidade. É uma comunidade totalmente interativa com intenção de criarmos discussões relevantes e fazer networking. Quer fazer parte desta comunidade e receber nossa newsletter por e-mail e fazer parte do nosso grupo no Whatsapp? Clique aqui e se inscreva! Você também pode entrar em contato conosco pelo e-mail: verticalenergia@climatempo.com.br

Descarbonização da Indústria: A Economia do Amanhã

Provavelmente você já ouviu falar em aquecimento global e mudanças climáticas, mas você sabe o que isso significa?

Para te explicar melhor esses conceitos é interessante pontuar qual a diferença entre Tempo e Clima. Basicamente, chamamos de tempo meteorológico condições atmosféricas momentâneas como por exemplo um dia nublado, chuvoso ou ensolarado. Já o Clima representa o padrão médio dessas condições instantâneas em um determinado período de tempo para uma determinada região (usualmente um período de 30 anos), como por exemplo o período úmido ocorrer principalmente durante o verão no Sudeste do país. 

Agora que ficou mais claro o que é o Clima, fica fácil entender o que são mudanças climáticas, não é?

Essencialmente definimos mudanças climáticas como mudanças nos padrões de tempo que persistem por décadas ou mais. Você pode estar se perguntando agora: Mas o que isso tem a ver comigo? E a resposta é: Tudo! As mudanças climáticas afetam diversas atividades tais como geração de energia elétrica, agricultura, pecuária, comércio, aviação, transportes, entre outras

Esta temática tem recebido destaque nas últimas décadas, e muitos estudos apontam para influência humana nesse processo, isto porque muitas das nossas ações liberam gases do efeito estufa (GEEs) na atmosfera, que resultam em uma elevação ainda maior da temperatura do planeta, originando o termo que conhecemos como aquecimento global. 

Quais os impactos do aquecimento global?

Essa elevação na temperatura gera uma série de consequências tanto na frequência de ocorrência, quanto na intensidade de diversos fenômenos climáticos, como por exemplo, as inundações que atingiram a Alemanha, França e outros países europeus em julho de 2021, onde 240 pessoas vieram a óbito e, ainda segundo a BBC, os danos estimados foram de US$ 43 bilhões.

Diante desse cenário preocupante, cientistas, tomadores de decisão e organizações ao redor do mundo, tais como o Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) da ONU, tem dedicado seus esforços para entender mais profundamente quais os possíveis impactos das mudanças climáticas e o que podemos fazer para mitigar esses efeitos com o objetivo de preservar a vida como conhecemos. 

Uma das principais medidas imediatas para atenuar os impactos das mudanças climáticas é reduzir a emissão de GEEs na atmosfera, em especial o CO2, que é um dos principais causadores do efeito.

Desde a revolução industrial, os níveis de concentração deste gás têm aumentado consideravelmente chegando a atingir  a marca de 417,19 ppm em Agosto de 2022 de acordo com as informações da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA). 

Nesse contexto, a pauta de descarbonização surge como um caminho alternativo e eficiente para solução dessa problemática. Vale ressaltar que medidas que visam lançar uma menor quantidade de poluentes na atmosfera podem ser adotadas por todos, mas aqui resolvemos trazer um olhar especial para as indústrias. 

Mas porquê as indústrias deveriam adotar a descarbonização e como viabilizar este processo? 

Segundo o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), a indústria brasileira chegou a emitir um total de 99.964.388 toneladas de CO2 em 2020, portanto a descarbonização deste setor teria um grande impacto no total de emissões, fazendo dela uma forte aliada na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.

Um dos principais pilares para se atingir a meta de descarbonização, é a transição energética que, em poucas palavras, consiste em adotar fontes renováveis e limpas para geração de energia. Ao adotar uma fonte renovável, a empresa está garantindo a sua resiliência energética, evitando oscilações de disponibilidade e preço da produção tradicional, garantindo redução de custos, uma vez que a longo prazo as energias renováveis são mais baratas. De acordo com o boletim Anual 2021 da ABEEÓLICA, o total de emissões evitadas em 2021 foi de 34,4 milhões de toneladas de CO2, o equivalente à emissão anual de cerca de 34 milhões de automóveis de passeio. Os benefícios não param por aí, ao adotar práticas como esta, seu negócio estará alinhado aos preceitos do Acordo de Paris e também aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), o que tem sido destaque e diferencial na escolha de muitos consumidores. 

Como funciona o processo de descarbonização e quais seus benefícios?

A descarbonização busca a redução das emissões de carbono, com o objetivo de alcançar uma economia global com emissões reduzidas para conseguir a neutralidade climática. O processo eficiente de descarbonização é aquele que atinge a neutralidade em carbono com o menor investimento possível, priorizando o uso de fontes limpas.

Um dos processos relacionados com a descarbonização, é a compensação ou compra de crédito de carbono, sendo uma das portas de entrada para a construção de uma sociedade que integre a modernidade com o equilíbrio natural, contribuindo com a manutenção da biodiversidade, preservação da qualidade dos solos, garantia de disponibilidade e qualidade hídrica, desenvolvimento das comunidades tradicionais entre outros.

Além disso, com a descarbonização, espera-se uma redução na escala da temperatura, revitalizando zonas degradadas pelo clima e melhorando a qualidade do ar para a população que vive nas adjacências dos grandes centros industriais, contribuindo com a sociedade e o meio ambiente.

Do ponto de vista industrial, as boas ações socioambientais agregam valor ao negócio, melhora a imagem da empresa no mercado e trazem maior lucratividade no longo prazo uma vez que ações governamentais ao redor do mundo estão sendo feitas para beneficiar financeiramente empresas aliadas ao desenvolvimento sustentável, a partir de incentivos fiscais e isenção de impostos. Consequentemente, contribui para o desenvolvimento econômico de setores sustentáveis da economia. 

Descarbonização e ESG

Em vista destes benefícios, muitas empresas estão seguindo o conceito de Environmental (Ambiental), Social e Governance (Governança) (ESG) da empresa, que normalmente pode ser utilizado para medir as práticas de cada tema dentro da empresa. Desta forma, este conceito tem como objetivo mapear todo impacto ambiental relacionada às operações da empresa, como por exemplo entender e monitorar as emissões de gases poluentes em vista de diminuir este impacto. Já a temática social se relaciona a responsabilidade social e dos direitos humanos da empresa, onde são realizados projetos que agreguem valor para a comunidade e sociedade como um todo, além de garantir aos colaboradores seus direitos humanos, leis trabalhistas, entre outros. Em termos de governança, o mesmo garante ações e esforços anticorrupção, conduta corporativa e está diretamente relacionado com os outros dois temas. Além disso, um terceiro tema tem se somado ao conceito ESG, que é o Financial, ou Financeiro (ESG+F), sendo justamente para trazer o equilíbrio entre os compromissos sociais, ambientais e de governança com a lucratividade da empresa.

Um exemplo de empresa que monitora seus indicadores ESG+F é a Neoenergia, onde dentro do seu relatório de sustentabilidade é possível observar os mesmos. A Neoenergia traçou diversas metas, como por exemplo ter a intensidade de suas emissões abaixo de 50 gramas de CO2 por kWh gerado, visando alcançar a neutralidade em carbono até 2050. Ainda, também tem como meta alcançar 35% de mulheres em postos de liderança e também 70% dos grandes fornecedores classificados como sustentáveis até 2022 e 100% até 2030. Além da Neoenergia, existem diversas ações que estão movimentando o setor privado para serem cada vez mais sustentáveis, como por exemplo o Pacto Global da ONU, o TCFD (Task Force on Climated-Related Financial Disclosures) e também a Conferência das Partes que acontece anualmente para discutir as ações sustentáveis que os países estão realizando.

Agenda 2030 e COP27

É esperado que essa temática ganhe cada vez mais destaque no cenário nacional e internacional. Em Novembro de 2022 ocorrerá a COP27 no Egito, onde serão realizadas várias discussões acerca das mudanças climáticas, com foco nos seus impactos econômicos e sociais. Cada dia terá uma pauta específica sendo a data de 11/11 reservada apenas para o tópico de descarbonização. É previsto que sejam debatidas ações a serem tomadas pelos países participantes e lideranças corporativas, visando atingir os objetivos da Agenda 2030 que foi aprovada em 2015 pelos 193 países-membros das Nações Unidas. 

A expectativa é que as ideias discutidas sejam transformadas em medidas práticas que levem os colaboradores participantes a ação necessária para transformar o futuro da humanidade. Já existem muitos caminhos a serem trilhados e as corporações pioneiras na temática certamente garantirão mais segurança, vantagem econômica, e ainda estarão contribuindo para a saúde de nosso planeta.

Você tem interesse nesse tipo de conteúdo e quer saber mais? A Climatempo iniciou uma comunidade de discussões sobre mudanças climáticas e sustentabilidade. É uma comunidade totalmente interativa com intenção de criarmos discussões relevantes e fazer networking. Quer fazer parte desta comunidade e receber nossa newsletter por e-mail e fazer parte do nosso grupo no Whatsapp? Clique aqui e se inscreva! 

Riscos climáticos e o Impacto no Setor Elétrico

O ano de 2022 foi marcado pela ocorrência de diversos eventos climáticos extremos que causaram grandes impactos não só a população em geral, mas também a diversos setores, como o de energia elétrica, por exemplo. Como alguns destes eventos, pode-se citar os altos acumulados de chuva em Petrópolis (RJ), Angra dos Reis (RJ), região metropolitana de Recife (PE), entre diversos outros. Em termos de impacto, todos os eventos citados causaram o aumento das ocorrências de desligamento de energia e exigiram uma ação rápida por parte das distribuidoras de energia de cada localidade. A maior ocorrência destes eventos climáticos extremos é evidenciado pelos relatórios do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) como uma das causas do aquecimento global e das mudanças climáticas. Desta forma, é evidente que os riscos climáticos precisam ser considerados no dia a dia das empresas, de forma que as mesmas possam realizar ações e investimentos para se tornarem mais resiliente frente a tais riscos

Quando se fala de riscos climáticos, especialmente relacionado as mudanças climáticas, pode-se dividir em riscos físicos ou de transição. Os riscos de transição estão relacionados aos riscos financeiros e de reputação relacionados a mudança da sociedade para uma economia mais sustentável e de baixo carbono, enquanto os riscos físicos podem ser classificados como riscos crônicos e os riscos agudos, onde:

  • Risco Crônico: os riscos crônicos são relacionados a mudanças nos padrões climáticos, como aumento da temperatura média global, aumento do nível do mar, entre outros;
  • Risco Agudo: os riscos agudos estão relacionados aos eventos extremos, como ciclones, tempestades intensas, tornados, entre outros.

Portanto, é importante que as empresas tenham mapeado quais são os principais riscos que afetam as suas operações. Se pensarmos, por exemplo, no segmento de transmissão de energia, os principais impactos climáticos são referentes aos riscos agudos relacionados ao aumento da frequência de tempestades intensas, que provocam raios e ventos fortes, ou ainda eventos extremos de precipitação que podem provocar a erosão do solo e afetar as torres. Elencados os riscos, é importante quantificar estas variáveis, de forma que se possa entender com qual frequência e intensidade determinados riscos podem acontecer. Um exemplo da quantificação destes riscos pode ser observado na figura 1 para chuva e rajadas de vento. É possível perceber, por exemplo, que o noroeste do Ceará é a região que mais tem sido impactada pelas chuvas, possuindo de 100 a 150 dias na década com chuva forte e com possibilidade de causar algum tipo de dano na região.

Figura 1 – Número de dias com chuva e rajadas de vento acima do percentil 90 entre 2011 e 2020 para o Ceará.

Essas informações são baseadas no histórico de dados passados, no entanto, ainda é possível verificar uma tendência dos riscos para o futuro. Neste contexto, pode-se utilizar os modelos de projeções climáticas. Atualmente, o Coupled Model Intercomparison Project na sua fase 6 (CMIP6) é o conjunto de modelos de projeções climáticas mais recente para avaliar as mudanças climáticas a nível global. Os cenários do CMIP6 são organizados com base no Scenario Model Intercomparison Project (ScenarioMIP), que é a principal atividade dentro do CMIP6 para prover projeções climáticas de múltiplos modelos baseadas em cenários alternativos diretamente relacionados aos desafios que a sociedade atualmente já enfrenta e que enfrentará no futuro, como por exemplo mitigação, adaptação e impactos das mudanças climáticas. A utilização destes modelos permite que possamos verificar se há de fato uma tendência de aumento dos eventos climáticos extremos em determinadas regiões. 

Uma vez mapeada a exposição do negócio aos riscos climáticos, pode-se começar a incluir em suas operações algumas ações para mapear a sensibilidade dos ativos com relação a tais riscos, ou seja, a que determinado limiar de chuva ou temperatura, por exemplo, os ativos começam a sofrer mais impacto? A partir disso, pode-se também avaliar a capacidade de adaptação da rede e também possíveis novas tecnologias que podem ser utilizadas com foco na resiliência dos ativos. Um exemplo simples relacionado a distribuição de energia é na identificação de uma região onde ocorrem muitos dias com ventos fortes e nestas regiões a rede possui muitos postes de madeira, possuindo uma resistência mais baixa. Desta forma, uma opção é a substituição destes postes de madeira por postes de concreto que, por possuírem uma maior durabilidade, também aumentam a resiliência da rede frente a estes dias de vento forte que foram mapeados. 

A identificação e quantificação dos riscos desta maneira não se restringe apenas a investimentos estruturais, mas também para logística das equipes e da operação e manutenção da empresa. Em posse de uma inteligência de riscos climáticos adequada, a alocação de equipes se torna mais eficiente, o que permite uma resposta mais rápida a períodos de contingência e consequentemente uma melhora nos indicadores de duração e frequência das interrupções de energia.

A Climatempo possui um ecossistema de dados e tecnologias para quantificação de riscos climáticos, que ao correlacionar com as falhas da rede, temos um produto muito eficiente nas mãos para verificar a sensibilidade da rede frente a tais riscos mapeados. Podem ser feitos estudos de caracterização climática, mapeamento de riscos ao negócio, avaliação das projeções futuras, entre outros estudos totalmente personalizados de acordo com as operações da empresa, clique aqui para conhecer esta ferramenta.

Você tem interesse nesse tipo de conteúdo e quer saber mais? A Climatempo iniciou uma comunidade de discussões sobre mudanças climáticas e sustentabilidade. É uma comunidade totalmente interativa com intenção de criarmos discussões relevantes e fazer networking. Quer fazer parte desta comunidade e receber nossa newsletter por e-mail e fazer parte do nosso grupo no Whatsapp? Clique aqui e se inscreva! Você também pode entrar em contato conosco pelo e-mail: verticalenergia@climatempo.com.br

Eólica offshore: um oceano de oportunidades

O que é?

A energia eólica vem ganhando cada vez mais destaque no mundo segundo o Conselho Global de Energia Eólica (GWEC). A utilização da energia dos ventos como fonte limpa e renovável vem se tornando uma aliada na redução da emissão dos gases do efeito estufa e no combate às mudanças climáticas.

Os termos onshore e offshore estão relacionados ao local em que os parques eólicos estão inseridos, ou seja, os parques onshore indicam que os aerogeradores estão instalados no continente, já os parques offshore que estão localizados em alto mar, em áreas distantes da costa e em águas mais profundas. 

Figura 1: Modelo estrutural de aerogeradores em parques onshore e offshore. Fonte: (WISER, Ryan et al. 2021)

Offshore ao redor do mundo

O ano de 2021 foi considerado o melhor ano já vivido pela indústria eólica offshore. Segundo o relatório anual do GWEC, foram 21.1 GW de nova capacidade conectada à rede, crescimento impulsionado principalmente pela China, Bélgica e Holanda, que por sua vez, lançou o segundo maior parque eólico offshore no último ano. O parque, chamado de Gemini, possui 150 turbinas de vento de 4 GW e está localizado no Mar do Norte, a 85 quilômetros de distância da costa.

Figura 2 – Parque Eólico Offshore Gemini, Holanda.

Oportunidades e desafios

Em comparação aos parques instalados no continente, os parques offshore causam menos poluição visual e sonora. Em alto mar, os ventos são mais intensos e constantes, o que aumenta a capacidade de geração de energia e causa menor efeito de turbulência nos aerogeradores. A possibilidade do uso de turbinas maiores, com maior geração, também é um atrativo para esse modelo de geração de energia renovável. 

Entretanto, o alto custo das instalações dos parques ainda é um dos maiores desafios da eólica offshore. Medidas como a utilização de sistemas híbridos podem trazer redução significativa nos gastos de operação e manutenção. É necessário também, levar em consideração áreas de preservação ambiental, uma vez que os efeitos desses parques sobre a vida marinha ainda não são totalmente conhecidos. Além disso, outros processos ainda precisam ser aperfeiçoados e entendidos para uma maior viabilidade econômica dos projetos, como, por exemplo: a otimização dos sistemas de transmissão de energia, processos erosivos, ruídos, vibrações, corrosão e deterioração dos materiais. 

Offshore e a Meteorologia

O Atlas Eólico divulgado pela Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE) em 2020 apresenta o potencial de geração a partir de diferentes velocidades do vento, profundidade do local e área aproveitada. Na eólica offshore, regiões com velocidade do vento a partir de 7 m/s começam a se tornar atrativas, especialmente considerando uma profundidade de até 50 m. Nestas características, o Brasil em sua totalidade tem o potencial de geração de 697 GW.

Tabela 1 – Áreas aproveitáveis e potencial de geração offshore no Brasil. Adaptado de Atlas Eficiência Energética Brasil (EPE, 2020).

Adicionalmente, também é importante avaliar o impacto do oceano nos aerogeradores. Desta forma, realizar estudos e simulações com os modelos oceânicos de ondas e correntes se fazem necessários. Neste caso, é possível verificar o impacto dos valores significativos de altura, período e direção da onda no estresse físico do aerogerador ao longo do seu ciclo de operação.

E o Brasil?

O Brasil possui alto recurso eólico offshore disponível ao longo de sua costa, com alta capacidade de geração nas regiões nordeste (destaque para os estados do RN, CE, PI e MA), sudeste (RJ e ES) e sul (RS e SC). Atualmente ocupa o sexto lugar no ranking de Capacidade Total Instalada de Energia Eólica Onshore, entretanto, ainda não existem instalações offshore em funcionamento. O país encontra-se no processo de aprovação das legislações e recentemente aprovou o Projeto de Lei 576/2021, que disciplina a outorga de autorizações para aproveitamento de potencial energético offshore.

Expectativas futuras

A GWEC Market Intelligence revisou suas perspectivas globais para 2030 em 45.3 GW em relação ao relatório do ano passado (16.7%). Segundo o relatório, acredita-se que 260 GW de nova capacidade eólica offshore podem ser adicionados no período 2022-2030, elevando o total global de instalações eólicas offshore para 316 GW.

REFERÊNCIAS:

GWEC (2018) Global Wind Report, Wind energy technology.

WISER, Ryan et al. Expert elicitation survey predicts 37% to 49% declines in wind energy costs by 2050. Nature Energy, v. 6, n. 5, p. 555-565, 2021.

Atlas da eficiência energética Brasil (2020) – Relatório de Indicadores. Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE).

AUTOR:

Joaquim Cortez

Energy Talent | AGOSTO

CO-AUTORES:

Patrícia Madeira

COO

Vitor Hassan

Head Of Energy

Rafael Benassi

Meteorologista | Setor Elétrico

Luciano Ritter

Meteorologista | Setor Elétrico

Lara Marques

Meteorologista | Setor Elétrico

Para mais informações: consultoria@climatempo.com.br

SBTi e a redução de emissões de GEE baseado na ciência: Entenda!

Atualmente, o mundo tem discutido muito sobre mudanças climáticas e a redução das emissões de gases do efeito estufa (GEE). Porém, um novo conceito cresceu muito nos últimos anos, você já ouviu falar nas metas de redução baseadas na ciência (Science Based Targets)? É sobre isso que vamos falar hoje! As metas são consideradas baseadas na ciência quando estão alinhadas com o que as ciências climáticas dizem ser necessário para atingir os objetivos do Acordo de Paris – manter o aumento da temperatura média do planeta abaixo dos 2ºC quando comparado a níveis pré-industriais.

As metas baseadas na ciência surgem como apoio na concentração de forças não só do governo, mas de empresas e da sociedade, para direcionar a melhor forma de definir suas metas para atingir o objetivo do Acordo de Paris. Uma das principais instituições responsáveis por divulgar o conceito e também avaliar as empresas é a Science Based Target Initiative (SBTi). A SBTi é uma iniciativa global criada em 2015 em colaboração entre o Carbon Disclosure Project (CDP), o Pacto Global da ONU, o World Resources Institutes (WRI) e a ONG WWF, sendo estas instituições ligadas a sustentabilidade e gerando esforços contra as mudanças climáticas. De maneira geral, a SBTi define e promove as melhores práticas na construção de metas baseadas na ciência, onde oferece recursos e orientações para reduzir as barreiras à adoção das metas e avalia de forma independente as metas das empresas. A ideia por trás da SBTi é mobilizar o setor privado e impulsionar a transição para uma economia de baixo carbono, permitindo que as empresas demonstrem a liderança em ações climáticas por meio do comprometimento com as metas ambiciosas de redução de GEE. 

Quer ficar por dentro de tudo sobre mudanças climáticas no setor de energia? Acesse nossa comunidade de discussão sobre mudanças climáticas e receba nossa newsletter por e-mail ? Clique aqui e se inscreva!

Bom, até aqui comentamos sobre a necessidade de redução da emissão de gases do efeito estufa, a criação de metas baseada na ciência e a SBTi, mas como isso funciona na prática? Atualmente, as grandes empresas, especialmente aquelas de capital aberto, possuem seus relatórios de sustentabilidade divulgados anualmente, onde divulgam as características da empresa, sua preocupação com o meio ambiente, projetos sociais, entre outras informações. Ainda, a maioria das empresas também divulga os inventários de emissões de GEE, onde são divulgadas informações dos seus escopos:

  • Escopo 1: Emissões liberadas pelas operações diretas da própria empresa;
  • Escopo 2: Emissões indiretas relacionadas ao gasto de energia utilizado pela empresa;
  • Escopo 3: Emissões indiretas que não são incluídas no escopo 2, sendo estas as mais difíceis de mensurar e monitorar.

Vale ressaltar que, caso a empresa siga os protocolos do GHG Protocol (Greenhouse Gas Control), apenas os escopos um e dois são obrigatórios. Porém, caso você faça suas metas baseadas na ciência e se comprometa com a SBTi, você deve mensurar e divulgar todos os escopos. Além disso, para participar da SBTi, existem basicamente cinco passos: comprometer-se, desenvolver a meta, submeter a meta para aprovação, comunicar publicamente a meta e, por fim, divulgar e monitorar anualmente as emissões. 

Na prática, a companhia deve enviar uma carta ao SBTi demonstrando o interesse em construir suas metas baseadas na ciência ou, caso já tenha suas metas, ter suas metas avaliadas de forma independente. Posterior a essa carta de comprometimento, a empresa tem 24 meses para desenvolver suas metas baseadas na ciência alinhada aos critérios da SBTi, submeter as metas para avaliação e, após aprovado, divulgar as metas publicamente. Nesta etapa, é importante que a empresa tenha um ano base das emissões e um ano alvo para atingir o objetivo (2040 ou 2050, por exemplo), além de considerar as especificidades da SBTi no setor de atuação. O ano base é aquele ano onde as emissões são completas, verificadas e representativas no contexto da empresa, é recomendado pela SBTi que se escolha o ano mais recente em que os dados estão disponíveis.

Após estas considerações, a empresa deve submeter a meta para avaliação da SBTi e quando for aprovada, a própria SBTi divulga as ações que a empresa está realizando. A última etapa do processo é a divulgação por parte da empresa, que deverá ser feita em até seis meses após a aprovação, estando sujeita a reavaliação após este período.

Atualmente, existem mais de 2 mil empresas que já possuem suas metas baseadas na ciência conforme a SBTi. A EDP Energias do Brasil, distribuidora de energia, foi a primeira empresa de energia da América Latina  a ter suas metas aprovadas pela ciência. Conforme a SBTi, a EDP possui seu ano base em 2017 e com a meta de reduzir 85% das emissões dos escopos 1, 2 e 3 até 2032, sendo que já atingiu 64% da meta. O movimento de ter suas metas baseadas na ciência cresceu muito em 2020 e 2021, e deve aumentar consideravelmente o número de empresas nos próximos anos. É importante ressaltar que, ainda que muitas empresas não estejam ligadas a SBTi, muitas já possuem seus inventários de emissões mapeados, divulgados e com metas estabelecidas no seus relatórios de sustentabilidade.

Você tem interesse nesse tipo de conteúdo e quer saber mais? A Climatempo iniciou uma comunidade de discussões sobre mudanças climáticas e sustentabilidade. É uma comunidade totalmente interativa com intenção de criarmos discussões relevantes e fazer networking. Quer fazer parte desta comunidade e receber nossa newsletter por e-mail e fazer parte do nosso grupo no Whatsapp? Clique aqui e se inscreva! Você também pode entrar em contato conosco pelo e-mail: verticalenergia@climatempo.com.br

PL 414: O impacto no seu bolso

Um tema que tem sido debatido atualmente é referente ao Projeto de Lei 414/2021 referente a abertura do mercado livre de energia para os consumidores finais, ou seja, caso o PL seja aprovado, você poderá escolher o preço que será pago pelo seu consumo e ainda optar pela fonte de geração (hidrelétrica, eólica, etc) da energia que chega até sua casa. Antes de explicar como isso irá funcionar, vamos fazer uma breve contextualização de como funciona o setor elétrico e de como a energia que você consome chega até sua casa. Vamos lá?!

  • Como a energia chega na sua casa? 

Existem atividades que estão inseridas em nosso cotidiano, que por serem tão simples e automáticas, não notamos a complexidade por trás delas. Um simples acender de luz ou até mesmo carregar o celular quando falta bateria, são exemplos da utilização de um recurso que está presente diariamente em nossas vidas, mas que por muitas vezes passa despercebido: a energia elétrica. Atualmente vivemos em um mundo tecnológico e cheio de facilidades, mas, em algum momento você já se perguntou como a energia elétrica chega até a sua casa?

Para a energia chegar até o consumidor final, algumas etapas anteriores são compreendidas, como ilustrado na Figura 1. O processo de geração pode vir de várias fontes, renováveis ou não renováveis. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), 77,1 % da energia elétrica gerada no Brasil atualmente, é provinda de fontes como água, Sol e vento (renováveis) e 22,9 % de outras fontes, como carvão, óleo e diesel, entre outras. Após gerada, é enviada para as distribuidoras através de linhas de transmissão de alta potência, e por fim, distribuída até os centros urbanos e áreas rurais.

Figura 1. Ilustração do sistema elétrico brasileiro desde o processo de geração até a distribuição ao consumidor final. 

Atualmente, a distribuidora de energia local regula o preço por kW/h que o consumidor final irá pagar, sendo assim, a única maneira de diminuir sua conta de luz, é diminuindo seu consumo. No entanto, a aprovação do PL 414/2021 pode mudar isso e ao longo deste texto você entender como. Acompanhe!

  • O que é mercado livre de energia e como funciona?  

O Mercado Livre de Energia é um local no qual os consumidores escolhem a forma que irão negociar (compra e venda) a energia elétrica. No Brasil, a contratação de energia pode se enquadrar no Ambiente de Contratação Regulada (ACR) ou no Ambiente de Contratação Livre (ACL).

O ACR é o modelo que estamos acostumados, no qual consumidores cativos (aqueles que compram energia de grandes distribuidoras) pagam uma fatura única por mês que contempla a energia consumida, taxas de serviço e encargos. Já no ACL, o consumidor negocia diretamente com as geradoras ou comercializadoras de energia elétrica. No primeiro caso  o consumidor pagará periodicamente a fatura referente ao serviço de distribuição de energia, e no segundo caso,referente ao contrato de compra de energia.

No Brasil, cerca de 70% da energia elétrica comercializada está no ACR. Porém, o preço médio de energia no ACL foi 27% inferior ao preço estabelecido no ACR no ano de 2021, segundo dados da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia Elétrica (Abraceel). Atualmente, apenas consumidores que possuem limites de carga e tensão superiores a determinados limiares de energia têm acesso ao ACL. Consumidores abaixo de tais limites devem comprar energia das distribuidoras no ACR.

  • E se você pudesse participar do ACL? 

Já imaginou um sistema em que você, consumidor cativo, tem autonomia para comprar sua própria energia? Com o Projeto de Lei 414/2021 (PL 414), que atualmente está tramitando na Câmara dos Deputados, esse sistema pode se tornar uma nova realidade para os brasileiros. De acordo com a Abraceel, um dos principais objetivos do PL 414 é a flexibilização da entrada do consumidor cativo no mercado livre de energia. Este marco representa uma modernização no setor, pois com a aprovação desse projeto de lei, qualquer pessoa que tiver interesse, poderá negociar a compra da sua energia diretamente no mercado livre, isentando-o da obrigatoriedade de ter que comprar de uma distribuidora local. 

Um dos grandes benefícios do PL 414, consiste na possibilidade de redução no valor da conta de energia. Visto que, com a entrada de novos clientes no mercado livre, espera-se um aumento na concorrência entre as comercializadoras, incentivando-as a oferecerem melhores ofertas, além de melhorar a qualidade dos serviços prestados por elas. Embora a entrada do consumidor cativo no mercado livre de energia signifique um grande avanço tanto para esses clientes quanto para as comercializadoras de energia,  também é importante salientar sobre as responsabilidades que cada parte deverá assumir.  Ou seja, os clientes que optarem por entrar nesse novo sistema, deverão adquirir conhecimento sobre o assunto para que eles consigam contratar o melhor serviço de energia de acordo com as suas necessidades. Já as comercializadoras, terão que estar preparadas para atender um número bem maior de clientes.

A possibilidade de negociação do valor da energia consumida permite que a energia comece a ser tratada como commodity. Ou seja, o consumidor final poderá tratá-la como “mercadoria” e terá liberdade para procurar diferentes comercializadores varejistas e o melhor custo benefício para sua necessidade. Além disso, os consumidores que gerarem sua própria energia poderão vender no mercado o excesso gerado, como aqueles que possuem painéis solares em casa.

A aprovação do PL 414 irá impactar diretamente a vida de todos os brasileiros, é por esse motivo que ela vem gerando grandes repercussões e expectativas no setor de energia,  uma vez que esse projeto de lei trará consigo uma grande evolução no modelo de negociação de energia dentro do mercado livre.

E como é nos outros países?

A Abraceel, em 2019, apresentou através do estudo: Ranking Internacional de Liberdade da Energia Elétrica, o quanto a população de cada país pode escolher livremente o fornecedor de eletricidade. Um dos resultados apresentou que 63% dos 56 países estudados já oferecem o mercado livre de energia como opção para toda a população, sendo líderes do ranking: Japão, Alemanha, Coréia do Sul, França e Reino Unido. Ou seja, esta já é uma realidade internacional.

Entretanto, o posicionamento de cada país no mercado livre é diretamente influenciado pela forma que o sistema elétrico está integrado. Por exemplo, em um estudo recente, a COPEL mostrou que os Estados Unidos possuem o sistema elétrico dividido em três sistemas que não são completamente interligados e isso faz com que apenas 23 dos 50 estados possuam abertura de mercado a todos os consumidores. 

Por esses e outros fatores, o processo de definição das medidas regulatórias se faz necessária é a fase atual vivida pelo Brasil. A expectativa é positiva entre os especialistas, pois a proposta contribuirá para o desenvolvimento e segurança do setor, vai acelerar a transição energética, diminuir o valor da conta de energia e permitirá maior competitividade às empresas da indústria nacional.

REFERÊNCIAS:

http://www.ons.org.br/paginas/sobre-o-sin/o-sistema-em-numeros

https://copelmercadolivre.com/o-cenario-do-mercado-de-energia-eletrica-em-outros-paises/

https://abraceel.com.br/biblioteca/cartilhas/2021/03/ranking-internacional-de-liberdade-de-energia-eletrica-2/

https://queroenergiabarata.com.br/folder-02-detalhes.pdf

https://abraceel.com.br/wp-content/uploads/post/2022/03/Estudo-Benef%C3%ADcios-da-Abertura-do-Mercado.pdf

O setor elétrico mais sustentável: como se adaptar ao GRI?

No último mês de junho, o Café com Ciência abordou a temática: Task Force on Climate-Related Financial Disclosures (TCFD) que consiste em uma estrutura com uma série de recomendações de como comunicar e gerenciar os riscos climáticos-financeiros a que as empresas estão expostas. Desta forma, ciente de que o tema sustentabilidade e mudanças climáticas é muito relevante, neste mês vamos abordar outro indicador muito importante na estruturação do relatório de sustentabilidade das empresas, a Global Reporting Initiative (GRI). A GRI é uma organização internacional, independente e sem fins lucrativos que auxilia as empresas e outras organizações a estruturar, comunicar e divulgar o impacto de suas atividades no meio ambiente.

Faça parte do nosso grupo exclusivo de sustentabilidade e mudanças climáticas, se inscreva no link e fique por dentro: clicando aqui.

A GRI foi fundada em 1997 após a comoção pública com relação ao acidente do navio da Exxon Valdez que provocou o vazamento de 11 milhões de galões de petróleo no oceano, o que causou uma série de impactos ambientais. Três anos depois, em 2000, foram lançadas as primeiras diretrizes globais para relatórios de sustentabilidade das empresas. A partir disso, diversas atualizações foram feitas nas estruturas da GRI, até que em 2016, a GRI deixou de fornecer diretrizes e começou a estruturar os padrões globais de relatórios de sustentabilidade –  a GRI Standards – que também são atualizados quando necessário.

Mas o que isso tem haver com sua empresa??

Os padrões da GRI permitem que a empresa divulgue publicamente seus impactos mais significativos na economia, no meio ambiente, nas pessoas e, ainda, como a empresa gerencia estes impactos. Isso torna a companhia mais transparente e aumenta a responsabilidade organizacional da mesma. Os padrões da GRI são um como um sistema modular interconectado e são divididos em três módulos: os padrões universais que se aplicam a todas empresas, os padrões setoriais que se aplicam a empresas de setores específicos e os padrões de tópicos que se aplicam a algum tópico individual. De maneira geral, o GRI é dividido da seguinte forma:

  • GRI 101 e 102: Informações gerais da estrutura do relatório, da companhia e das abordagens da gestão;
  • GRI 103: Tópicos Materiais – Orientações de como determinar os tópicos materiais da organização.
  • GRI 200: Impacto econômico – Informações financeiras e indicadores econômicos;
  • GRI 300: Impacto ambiental – Indicadores sobre a gestão do impacto ambiental;
  • GRI 400: Impacto social – Indicadores sobre práticas trabalhistas, direitos humanos, entre outros.

Tudo bem, quero adotar os padrões da GRI, e agora? Certo, vamos lá!

Um conceito importante para seguir as normas da GRI é entender o conceito de tópicos materiais. Os tópicos materiais são definidos de acordo com os impactos da companhia na dimensão econômica, ambiental e de pessoas, incluindo os direitos humanos. De maneira geral, para se definir os tópicos materiais da companhia, pode-se seguir uma metodologia considerando desde documentos internos da empresa até avaliação de notícias relacionada a companhia, sendo esta lista filtrada posteriormente pela governança da empresa e seus stakeholders. Após este filtro, é construída a matriz de materialidade que irá demonstrar quais tópicos são mais relevantes para a empresa naquele momento.

Os padrões da GRI possuem alguns detalhes no qual deve-se tomar cuidado. Todas as diretrizes das normas possuem requisitos no qual a empresa deve relatar para estar de acordo com a GRI. Além dos requisitos, existem também as orientações e as recomendações. Os requisitos são obrigatórios e seguidos dentro do contexto das orientações e recomendações, sendo que estes dois últimos não são obrigatórios. 

Para ficar mais claro, vamos analisar resumidamente o relato 201-2 referente às Implicações financeiras e outros riscos e oportunidades devido às mudanças climáticas. Como requisito, a companhia deve “divulgar os riscos e oportunidades apresentados pelas mudanças climáticas com potencial de gerar mudanças substanciais nas operações, receitas ou despesas”, incluindo:

I. uma descrição do risco ou da oportunidade e sua classificação como físico, regulatório ou de outra natureza;

II. uma descrição do impacto associado ao risco ou à oportunidade;

III. as implicações financeiras do risco ou da oportunidade antes de serem tomadas medidas;

IV. os métodos utilizados para gerenciar o risco ou a oportunidade;

V. os custos das medidas tomadas para gerenciar o risco ou a oportunidade.

Como dito anteriormente, o destaque acima é obrigatório, mas há recomendações que podem ser feitas e não são obrigatórias, por exemplo: quando descrito um risco, qual foi o fator gerador deste risco que a companhia está inserida? A criação de alguma lei? Algum fator da natureza física, como a escassez de água? Pode ser descrito, mas não é obrigatório. Além disso, também existem as orientações que podem ser utilizadas para guiar a divulgação da norma.

Dentro deste contexto de riscos e oportunidades frente às mudanças climáticas, a Climatempo possui grande experiência em caracterizar os riscos físicos climáticos no qual o negócio está inserido, tanto do ponto de vista qualitativo quanto quantitativo. Se analisarmos, por exemplo, a geração de energia eólica, pode-se auxiliar na avaliação dos riscos de descargas atmosféricas e sua relação com a operação e manutenção dos parques. Além disso, pode-se avaliar os riscos de geração frente aos cenários de projeções climáticas nas próximas décadas e também no contexto de complementaridade de fontes, auxiliando no discovery de novas oportunidades frente a tais mudanças do clima.

Por fim, destaca-se a importância da GRI para avaliação do comprometimento das empresas em avaliar seus impactos sociais, ambientais e de pessoas, aumentando significativamente o comprometimento da companhia em se tornar mais sustentável. 

Você tem interesse nesse tipo de conteúdo e quer saber mais? A Climatempo iniciou uma comunidade de discussões sobre mudanças climáticas e sustentabilidade. É uma comunidade totalmente interativa com intenção de criarmos discussões relevantes e fazer networking. Quer fazer parte desta comunidade e receber nossa newsletter por e-mail e fazer parte do nosso grupo no Whatsapp? Clique aqui e se inscreva! Você também pode entrar em contato conosco pelo e-mail: verticalenergia@climatempo.com.br

Boletim Quinzenal Eólica 08/07/22

Neste boletim, foram escolhidos três pontos: no litoral do Ceará, no interior da Bahia e no litoral do Rio Grande do Sul.

Nessa época do ano, já não são esperados grandes acumulados de chuvas sobre a costa norte da Região Nordeste. Os ventos começam a se intensificar nessa área, o que aumenta a geração de energia eólica. Apesar disso, nas últimas semanas, a presença de águas superficiais mais quentes em todo o litoral nordestino tem favorecido há ocorrência de chuvas intensas na costa leste, devido aos ventos úmidos provenientes do oceano, o que tem impactado a geração eólica. A previsão é de que, nas próximas semanas, a chuva comece a diminuir sobre o Nordeste e comece a se estabelecer um bom período de ventos para a região.

No Sul do país, a passagem de sistemas frontais tem se restringido ao sul da região. A passagem desses sistemas de baixa pressão estão associados a fortes intensidades do vento, o que colabora, momentaneamente, com a geração eólica. Para os próximos dias, haverá a atuação de um sistema de alta pressão que estará posicionado de forma a favorecer ventos constantes sobre o Rio Grande do Sul, o que pode aumentar o potencial de geração de eólica.

No litoral do Ceará, os ventos apresentam um comportamento regular ao longo de todo o período analisado. A partir do dia 17/07, observa-se uma suave tendência de aumento da intensidade do vento o que irá favorecer o aumento de geração eólica nessa região, como é o esperado para essa época do ano. Além disso, as chuvas começam a diminuir a partir da segunda quinzena do mês, os acumulados ficarão em torno de 12 mm para os próximos 15 dias, o que representa uma chuva fraca e que não irá impactar na geração eólica.

Na região central da Bahia, os ventos estarão mais intensos nos próximos dias aumentando o potencial de geração de energia eólica. A partir da terça-feira (12/07), observa-se uma tendência de enfraquecimento dos ventos em relação à semana atual, o que reduz o potencial eólico. Não há chuvas significativas para os próximos 15 dias, os valores ficam em torno de 6 mm para esse período.

No Rio Grande do Sul (RS), verifica-se uma grande variação no regime de ventos ao longo de todo o período. Nos próximos dias, haverá dois picos na intensidade do vento, no início do sábado (09/07) e na terça-feira (12/07), o que poderá favorecer a geração de eólica durante esses dias. No período de 14/07 a 16/07, os ventos se mantêm intensos na maior parte do tempo, o que também colabora com o aumento da geração. A partir do dia 17/07, há uma forte tendência de enfraquecimento dos ventos na região, o que poderá impactar no potencial eólico.

Marcely Sondermann

Meteorologista

CREA: 2019690250

Faça parte da comunidade de sustentabilidade e mudanças climáticas da Climatempo e fique por dentro de tudo que está acontecendo no setor. Em nossa comunidade, você irá receber nossa newsletter e poderá fazer parte do nosso grupo do Whatsapp, onde você poderá interagir, discutir e fazer networking com diversos agentes de sustentabilidade do setor. Inscreva-se

Hidrogênio Verde: A Grande Aposta!

As mudanças climáticas são consequências do constante aumento de Gases de Efeito Estufa (GEE) na atmosfera, e o setor de energia é um dos responsáveis por essa emissão em escala global. De acordo com a International Renewable Energy Agency (IRENA) é esperado um aumento da participação das energias renováveis na demanda energética global, e estima-se que esse aumento seja de 17% até 2030 e 25% até 2050. Todavia, ao mesmo tempo que os seres humanos são responsáveis por parte desse aumento de GEE, é importante identificar formas de melhorar ou minimizar os  efeitos causados por essas elevadas emissões, como por exemplo, o efeito estufa e, consequentemente, as mudanças climáticas. Baseado na necessidade de reduzir os impactos ambientais causados especialmente pelo gás carbônico, foi criado o conceito de “Descarbonização”, tema discutido desde o RIO 92, e que ganhou força na COP Japão em 1997 com o Protocolo de Quioto.

A descarbonização consiste no processo de redução de emissões de carbono na atmosfera, em especial o dióxido de carbono que é considerado o principal componente do efeito estufa. Esse conceito tem como objetivo construir uma economia global com emissões reduzidas para que seja possível, a longo prazo, alcançar a neutralidade climática.  Para colocar em prática o conceito de descarbonização do planeta, tem-se investido em maneiras de gerar energia carbono zero através da transição energética.

O hidrogênio surge como alternativa de carbono zero, sendo o elemento mais abundante na natureza e possui grande capacidade de armazenar energia, logo, é considerado como um grande potencial para o mercado energético. Pode ser obtido a partir de fontes renováveis ou não renováveis, classificando-o em diferentes cores, entre eles o hidrogênio verde, sendo a opção mais sustentável e ecológica.

Mas o que é o hidrogênio verde e como é produzido? Quais suas vantagens e desvantagens? Quais suas aplicações? É considerado um bom investimento para o Brasil? Não se preocupe, ao longo do texto todas essas questões serão abordadas. Acompanhe!

Como é produzido o Hidrogênio Verde? 

O hidrogênio dificilmente é encontrado em sua forma natural disponível na natureza, pois ele flutua para cima e para fora da atmosfera, desta forma, encontra-se combinado a outros átomos, como por exemplo, na composição da molécula da água. Sua produção pode ser realizada de diversas maneiras e provinda de variadas fontes. No entanto, este processo demanda alta quantidade de energia, e muitas vezes, os métodos utilizados para tal são inviáveis em termos ambientais e econômicos. De acordo com a fonte de energia utilizada para a geração do hidrogênio, classificam-se os mais utilizados como: 

  • Hidrogênio cinza: produzido a partir de combustíveis fósseis, no qual há emissão de dióxido de carbono para a atmosfera, sendo o mais comum e de menor custo;
  • Hidrogênio azul: quando o carbono produzido no processo é armazenado no solo;   
  • Hidrogênio verde: produzido com eletricidade oriunda de fontes de energia limpas e renováveis. Ou seja,é obtido sem emissão de dióxido de carbono, tornando-o a opção mais sustentável e ecológica a ser utilizada, e devido a isso, também é conhecido como “combustível do futuro”.

O hidrogênio verde é produzido através de um processo físico-químico conhecido como eletrólise, o qual utiliza energia elétrica para extrair o hidrogênio através da separação da molécula da água. Para isso, dois eletrodos são submersos em um compartimento com água e sais minerais e são conectados a uma fonte de energia renovável. Devido aos eletrodos possuírem polarizações opostas, cria-se uma corrente de energia contínua, a qual é responsável por separar o hidrogênio do oxigênio.

CLIQUE AQUI E FAÇA PARTE DA COMUNIDADE EXCLUSIVA DE SUSTENTABILIDADE E MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Aplicações do hidrogênio verde

O hidrogênio verde é considerado um potencial combustível para geração de energia e utilização no transporte, como carros, caminhões e aviões, por exemplo. Para isso, utiliza-se o hidrogênio através de uma célula de combustível (dispositivo eletroquímico que converte a energia química contida no hidrogênio em energia elétrica e água), gerando energia sem combustão e liberando apenas vapor de água para a atmosfera. Segundo a literatura, este gás tem muito potencial para o setor de energia, sendo que um litro do hidrogênio contém aproximadamente três vezes mais energia que um litro de gasolina e não libera substâncias nocivas quando é queimado. Portanto, através da produção e utilização do hidrogênio verde, torna-se possível minimizar parte das emissões de gases de efeito estufa oriundos da queima de combustíveis fósseis, e dessa forma, contribuir no processo de descarbonização.

Com relação aos veículos de transporte, há diversos fabricantes que já estão realizando grandes investimentos em veículos movidos a hidrogênio verde. Um exemplo disso é a Airbus que pretende ter uma aeronave com emissão zero até 2035. Além disso, tal combustível é uma alternativa para setores de difícil descarbonização, como por exemplo o setor petroquímico e siderúrgico.

O hidrogênio verde surge como uma alternativa de armazenamento,  sendo possível transportá-lo para qualquer lugar que seja necessário, inclusive ser comercializado para outros países que precisem. 

Quais as vantagens e desvantagens ao utilizar o hidrogênio verde?

O hidrogênio verde surgiu como uma ótima opção no processo de transição energética associado às medidas de descarbonização, isso porque possui alto valor energético, não é tóxico e não acarreta emissões nocivas para o ambiente.  Entretanto, por ser um elemento muito leve, é encontrado em sua forma isolada apenas em altos níveis da atmosfera, o que acaba por constituir uma alternativa mais cara uma vez que requer a realização de seu isolamento de outros compostos em superfície. 

Em termos de benefícios, vale destacar que esse conceito além de contribuir com o meio ambiente e com a sociedade como um todo, contribui ainda para o desenvolvimento econômico de setores sustentáveis, agregando valor à imagem da empresa perante ao mercado, reduz custos quando entendemos que energias renováveis são mais baratas a longo prazo e também pode gerar redução em impostos e certificados de sustentabilidade para sua empresa.

Hidrogênio verde no Brasil e no mundo

Além dos pontos positivos destacados anteriormente, o hidrogênio verde tem um enorme potencial financeiro, podendo movimentar no Brasil, entre US$ 15 e US$ 20 bilhões por ano até 2040, por isso vem atraindo cada vez mais a atenção de novos investidores. Os primeiros projetos em estudo no Brasil estão voltados para o mercado exterior, devido à maior demanda e metas dos governos internacionais para redução de emissões dos gases do efeito estufa.

Os principais fatores que justificam o potencial do Brasil são: 

  • Característica geográfica privilegiada para a geração de energia renovável, o que permite uma boa complementaridade de fontes (vento, água e Sol);
  • Grande extensão litorânea e posição geográfica, o que facilita o processo de exportação;
  • Espaço territorial para instalação de usinas;
  • O atual sistema elétrico brasileiro ser bem integrado e já ser de baixo carbono (em comparação com outras nações), 

Por esses motivos, o Brasil se torna um dos países mais competitivos para a produção de hidrogênio verde no mundo, com competitividade potencial similar à produção dos Estados Unidos e Austrália (consultoria McKinsey).

Gostou e quer saber mais sobre o assunto? Clique aqui e faça parte da nossa comunidade exclusiva e fique por dentro dos assuntos de sustentabilidade e mudanças climáticas!

NOSSOS CLIENTES
E PARCEIROS