Efeitos do La Niña no setor Portuário e da Mineração

Neste trimestre de outono ocorreu o La Niña mais forte desde 1950, responsável pelo resfriamento da superfície do mar na região equatorial central e leste do Oceano Pacífico. O fenômeno acontece pelo terceiro ano seguido e afeta as temperaturas no mundo inteiro, causando secas, granizos e inundações pelo Brasil além de alterar o padrão de ventos na atmosfera, intensificando a formação de furacões no Oceano Atlântico.

Os impactos gerados nos diversos setores econômicos, como de mineração, portuário e de infraestrutura no geral, são críticos devido a perigos causados por danos estruturais e falta de alertas, incluindo prejuízos com interrupções nas atividades.

De acordo com os modelos de previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), grande parte da área Norte terá pluviosidade maior que o normal, na região do Nordeste chuvas acima do comum favorecem fases sensíveis de culturas em quase todo o Sealba (Sergipe, Alagoas e Bahia), como o feijão e a terceira safra do milho. Em Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), outubro e novembro prometem médias um pouco mais elevadas, favorecendo o aumento dos níveis de água no solo e dos rios, contribuindo com as fases iniciais do cultivo de grãos.

Nas regiões Centro-Oeste a previsão climática trimestral indica pluviosidade dentro do padrão, no Sudeste médias pouco superiores a partir de outubro ajudam no armazenamento de água no solo e aumento da vazão fluvial, colaborando com as primeiras etapas do cultivo de soja, milho e algodão. Já o Centro-Sul tem previsão de chuvas abaixo do normal em grande parte da região e a estiagem pode afetar as lavouras, assim como geadas em locais de elevada altitude devido a massas de ar polar.

As condições típicas de primavera são rajadas de ventos fortes de leste no final da tarde, popular “Vento de Finados”, pois massas de ar frio de alta pressão deslocam sua trajetória mais pro oceano ampliando o gradiente oceano-continente de temperatura e pressão. O contraste térmico da costa mais fria com o ar quente do continente fortalece a ventilação podendo acarretar em ciclones extratropicais e ressacas extremas.

Situações de tempo severo como tempestades com raios e vendavais de granizo são preocupantes pois atrapalham as operações e qualidade do minério extraído. As estações com intensa pluviosidade atrasam o progresso de obras e estragam os materiais, porém suas descargas elétricas representam real ameaça à vida. E como o Brasil possui a maior incidência de raios no mundo, principalmente nessa época do ano, um monitoramento é fundamental para decisões de campo.

O evento triplo, com início em 2020 continuará pelos próximos seis meses, afetando a produtividade e logística de vários ramos, por isso um mapeamento de zonas climáticas é essencial para o andamento da cadeia de serviços, pois as mudanças climáticas estão cada vez mais acentuadas e inevitáveis. As análises permitem elaborar projeções para prevenir cenários de riscos econômicos e especialmente ao colaborador.

Referências

https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2022-06/inverno-comeca-hoje-e-deve-sofrer-influencia-do-la-nina

https://gauchazh.clicrbs.com.br/ambiente/noticia/2022/07/la-nina-deve-seguir-ate-2023-entenda-os-impactos-do-fenomeno-no-rs-cl5ing15i00by017m6tiofcx1.html

https://gauchazh.clicrbs.com.br/ambiente/noticia/2022/08/la-nina-pode-ter-duracao-inedita-neste-seculo-diz-onu-cl7hlo4du001m01f8gixgpupg.html

https://agribrasilis.com/2022/09/05/regiao-sul-do-brasil-e-a-mais-afetada-pelo-terceiro-ano-consecutivo-de-la-nina/

REIS, Ítalo Seilhe et al. Análise da Variabilidade da Temperatura do Ar em Rio Grande – RS (1913-2016). Revista Brasileira de Geografia Física, Rio Grande /RS, ano 2022, v. 15, ed. 01, p. 583-601, 17 nov. 2021.

BARBOSA, Cláudia Silva et al. Da mineração à aerotropolis: platôs do capitalismo em Minas Gerais. Sistema de Información Científica Redalyc: Red de Revistas Científicas de América Latina y el Caribe, España y Portugal, Belo Horizonte/MG, ano 2021, v. 5, n. 2, ed. 8203, p. 583-601, 29 jun. 2021.

Descargas elétricas nas rodovias

Um dos maiores problemas que ocorrem em operações a céu aberto é a passagem de fenômenos meteorológicos que desenvolvem nuvem e aceleram a formação de descargas elétricas. Por vezes, as descargas atmosféricas atrasam obras, e causam transtornos em diversos setores brasileiros. 

O Brasil é um dos países que mais sofrem com a presença de descargas elétricas, que por muitas vezes são sinônimo de mortes e tragédia. Uma constante preocupação das empresas é justamente com as chuvas excessivas e os raios provenientes de tais fenômenos, dado que qualquer alteração de tempo pode prejudicar a logística e até mesmo corroborar para a perda de materiais. 

Em uma matéria já apresentada pela climatempo, destaca-se que “Segundo o infográfico produzido pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat/Inpe), imagem acima, até 2019 o Brasil registrou 2.194 mortes devido às descargas elétricas e cerca de 43% dessas mortes ocorreram durante o verão. Os dados estatísticos levantados pelo ELAT, mostraram que a chance de uma pessoa morrer atingida por um raio no Brasil é de uma em 25 mil, embora pareça uma chance pequena, para esclarecer, o coordenador do ELAT comparou essa probabilidade com a de um ser humano ser mordido por um cachorro que é uma em 100 mil e ainda ressaltou que as chances aumentam em até 2,5 vezes se a pessoa estiver desprotegida em uma área descampada durante uma tempestade, que costuma produzir cerca de três raios por minuto, sendo assim em 30 minutos a probabilidade de morrer atingido por um raio foi de uma em 25 mil para uma em 10 mil.”

Segundo matéria publicada na revista Superinteressante as mortes por descargas elétricas, em sua maioria, se dão por pessoas estarem em locais abertos durante a ocorrência dos eventos. 

Na construção civil, as chuvas têm impacto direto na hora da concretagem, podendo causar prejuízos econômicos e o atraso das obras. Além disso, as descargas elétricas provenientes de tais fenômenos severos podem ser um risco para os colaboradores que operam em céu aberto. Diante disso, a preocupação com as descargas atmosféricas já virou uma preocupação a nível nacional de acordo com a revisão da norma ABNT NBR 5419. Estes fenômenos são fatores de atenção para diversas rodovias do país, principalmente quando envolve operações a céu aberto e tudo que envolve os riscos as operações devido a fenômenos atmosféricos.

Grande incidência de raios acende alerta no portuário

O período chuvoso só está começando e apenas durante o mês de setembro, foram registrados mais de 3,5 milhões de raios no Brasil de acordo com um levantamento feito pela Climatempo. Já o número de descargas atmosféricas, que não chegam a se conectar ao solo, ultrapassou os impressionantes 8 milhões de registros.

Apesar da grande quantidade de raios computados no último mês, a informação não surpreende, pois o Brasil é o país com a maior incidência de raios no mundo, ultrapassando 70 milhões de registros anualmente. Fato que preocupa os setores impactados pelas condições atmosféricas, como o setor portuário, que possui grande parte de suas operações a céu aberto, sendo altamente sensível às condições de tempo e clima. 

Anualmente os prejuízos ocasionados pela ocorrência de raios chegam chegam a casa do bilhão. No setor portuário, os raios representam risco principalmente aos funcionários que operam a céu aberto e também à integridade dos equipamentos utilizados. Além disso, a interrupção das operações devido ao fenômeno, os prejuízos se elevam ainda mais. 

Como tornar a minha operação mais segura e otimizada contra raios?

O uso de plataformas de monitoramento de raios contribuem para a segurança e otimização das operações, informação que foi comprovada recentemente através de uma pesquisa feita com mais de 100 clientes da Climatempo. Cerca de 98% dos entrevistados informaram que sua operação se tornou mais segura com a utilização do SMAC, o Sistema de Monitoramento e Alertas Climatempo, onde são enviados alertas georreferenciados e com antecedência para raios, chuva forte e vento forte. 

Além da segurança, cerca de 80% dos clientes pesquisados também apontaram que houve redução na quantidade diária de horas paradas devido à otimização da operação. Pois além de enviar o alerta, a Climatempo também informa quando as condições estão seguras para o retorno da operação, permitindo a volta do trabalho no momento certo. 

O período chuvoso está apenas começando e é de extrema importância a utilização de informações meteorológicas personalizadas de acordo com cada operação, para mitigar os efeitos do clima e do tempo severo. 

Robson Miranda – meteorologista e consultor comercial

Riscos de descargas elétricas e suas consequências para a sociedade

As descargas elétricas na atmosfera ou popularmente denominadas como relâmpagos, nada mais são do que fenômenos da natureza que ocorrem devido ao acúmulo de cargas que em geral se originam dentro de nuvens de tempestades (Cumulonimbus). Quando o campo elétrico produzido por essas cargas atmosféricas excede a capacidade isolante do ar, há uma grande transferência de energia iniciando todo processo da descarga elétrica.

Relâmpagos duram em média um quarto de segundo, durante este período, percorrem na atmosfera uma distância que varia desde alguns quilômetros até algumas dezenas de quilômetros. Embora elas possam parecer uma descarga contínua, na verdade eles são formados de múltiplas descargas, denominadas descargas de retorno, que se sucedem em intervalos de tempo muito curtos, sendo considerados como uma das mais violentas manifestações da natureza.

Existem diversos tipos de descargas elétricas atmosféricas, elas são classificadas de acordo com o seu local de origem e onde terminam. Por exemplo, as descargas elétricas podem ocorrer dentro da própria nuvem, entre nuvens, da nuvem para o solo, do solo para a nuvem ou até mesmo da nuvem para um ponto qualquer na atmosfera. A polaridade desse fenômeno também varia de acordo com as suas propriedades, ou seja, existem relâmpagos tanto com a polaridade negativa, que são os mais comuns, quanto os de polaridade positiva, que são os mais raros de acontecer.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), as mudanças climáticas interferem diretamente na incidência das descargas elétricas, pois com aumento na temperatura média global, a ocorrência das descargas elétricas também tem aumentado em cerca de 35% para cada grau celsius acima da média.  Além disso, o Brasil é o país com a maior incidência desse fenômeno no mundo, com quase 80 milhões de casos por ano. Consequentemente, o aumento de relâmpagos devido às mudanças no clima é preocupante, pois os relâmpagos podem causar vários prejuízos a diversos setores da economia brasileira.

As descargas nuvem-solo são os mais estudados atualmente, pois são os que causam  maiores danos aos seres humanos. Os relâmpagos nuvem-solo, por exemplo, podem danificar equipamentos elétricos, causar incêndios, acidentes em aviões e barcos, problemas nos sistemas de telecomunicações, desligamentos de linhas de transmissão e distribuição de energia, ou até mesmo, ocasionar a morte de pessoas e animais.

Estima-se que no Brasil os relâmpagos matam cerca de 110 pessoas por ano, deixam mais de 200 pessoas feridas e causam um prejuízo anual de aproximadamente R$1 bilhão. O setor elétrico é o que mais sofre com as descargas elétricas, tendo um prejuízo de aproximadamente R$600 milhões. Depois, os setores mais afetados são os de telecomunicações (R$100 milhões), seguros, eletrônicos, construção civil, aviação, agricultura e pecuária.

O QUE FAZER SOB RISCO DE TEMPESTADE COM DESCARGAS ELÉTRICAS?

ÁREA RURAL

  • Abrigar-se ou caminhar perto de árvores;
  • Não ficar próximo a animais ou andar a cavalo;
  • Não ficar próximo a cerca de arame;
  • Não carregar ou ficar próximo a objetos metálicos pontiagudos, como enxadas, pás e facões;
  • Evitar ficar próximo de veículos, como tratores, carros ou dentro de carroceria de caminhão;
  • Não se abrigar em áreas cobertas, que protegem da chuva, mas não dos raios, como varandas, barracos e celeiros.

AO AR LIVRE

  • Parar de jogar futebol ou permanecer no campo;
  • Evitar caminhar em áreas descampadas, como terreno baldio, cemitério e canteiro de obra;
  • Evitar caminhar ou ficar parado em rodovias, ruas ou estradas;
  • Não subir em locais altos, como telhados, terraços e montanhas;
  • Não ficar próximo a varal de metal, antena ou portão de ferro.

NA PRAIA, NA PISCINA OU NO RIO

  • Sair da água;
  • Não caminhar às margens da água na faixa de areia, calçadão, beira de rio ou piscina;
  • Sair debaixo de guarda-sol, tendas e quiosques;
  • Não ficar próximo a embarcações atracadas;
  • Não realizar atividades de pesca navegando em embarcações ou na beira da água.

DENTRO DE CASA

  • Evitar utilizar equipamentos elétricos ligados à rede elétrica ou ficar perto de tomadas;
  • Evitar falar ao telefone com fio ou utilizar celular conectado ao carregador;
  • Evitar tomar banho em chuveiro elétrico;
  • Não ficar próximo a janelas e portas metálicas;
  • Não ficar próximo à rede hidráulica (torneiras e canos).

OPÇÃO MAIS SEGURA DE ABRIGO EM QUALQUER CENÁRIO

  • Entre em um veículo não conversível e feche as portas e vidros, evitando contato com a lataria;
  • Entre em moradias ou prédios, mantendo distância das redes elétrica, telefônica e hidráulica, de portas e janelas metálicas;
  • Entre em abrigos subterrâneos, tais como metrôs ou túneis.
  • Afasta-se de qualquer ponto mais alto e de objetos metálicos, mantenha os pés juntos
  • e agacha-se até a tempestade passar. Não fique deitado.

Para as empresas com operações expostas a esses riscos, a Climatempo fornece soluções meteorológicas para auxiliar na mitigação dos impactos causados. 

Entre em contato conosco para ter mais segurança no seu dia a dia: verticalinfra@climatempo.com.br.

Referências

http://www.inpe.br/webelat/rindat/menu/desc.atm/

https://www.cnm.org.br/comunicacao/noticias/descargas-eletricas-o-brasil-e-o-pais-onde-mais-ocorre-raios-no-mundo

https://www.biomassabioenergia.com.br/imprensa/os-raios-e-o-meio-ambiente-por-ricardo-e-rose/20170222-162643-q679

https://gauchazh.clicrbs.com.br/ambiente/noticia/2022/04/a-cada-50-mortes-por-raios-no-mundo-uma-e-no-brasil-saiba-como-se-proteger-cl2gln7qv007e019imbse9cxy.html

http://www.inpe.br/webelat/homepage/menu/infor/relampagos.e.efeitos/solo.php

https://gauchazh.clicrbs.com.br/ambiente/noticia/2022/04/a-cada-50-mortes-por-raios-no-mundo-uma-e-no-brasil-saiba-como-se-proteger-cl2gln7qv007e019imbse9cxy.html

SILVA, Gustavo Azarito. Visualização científica de descargas elétricas atmosféricas. 2014.

COUTO, Flavio; SALGADO, Rui. MODELAÇÃO DE DESCARGAS ELÉTRICAS ATMOSFÉRICAS COM MODELO DE INVESTIGAÇÃO DE ALTA RESOLUÇÃO ESPACIAL. 2019.

Impacto da primavera nas ferrovias do país

A chegada da primavera em muitas regiões do país é marcada, muitas vezes, pelo fim da estação seca e início da estação chuvosa. No cenário de mudanças climáticas, tais variações de estação devem estar sempre no radar dos gestores mais engajados, pois a chegada da estação chuvosa é também, a chegada dos riscos e a oportunidade de adaptar-se a eventos que irão impactar as operações. 

De acordo com o INMET, deve-se ficar atento ao fenômeno que causa 

  • Temperaturas mais elevadas em grande parte da Região Norte, interior da Região Nordeste e em alguns pontos da parte central do Brasil;
  • Aumento de chuvas no Sudeste, Centro-Oeste, Acre e Rondônia;
  • Chuvas fortes, rajadas de vento, raios e até mesmo granizo na Região Sul;

Bem, as organizações devem ficar atentas não apenas a o que irá ocorrer em termos de troca de estação, mas sim como os eventos severos decorrente dessa troca podem impactar o seu negócio. Podemos ir além, visto que estamos em uma época de transição de estação, é possível que este ano a primavera traga mais prejuízos econômicos ao meu negócio? 

Evidente, visto que a cada ano que passa estamos nos deparando com mais e mais fenômenos adversos e, a consequência de encarar essas mudanças de tempo sem estar preparado é de prejuízos econômicos. 

Segundo a seguradora suíça Reswiss, só no primeiro semestre os prejuízos causados por eventos adversos de tempo já ultrapassam os 72 Bilhões de dólares, muitos destes prejuízos foram causados pela primavera e inverno Europeu, agora é a vez da américa do sul conviver com tais fenômenos. 

Além da chegada da primavera, devemos ter em mente que estamos em mais um ano de La Niña, o que altera os padrões de chuvas em diversas regiões do país. Na região Sul do país, os dois eventos combinados devem possibilitar a rápida passagem das frentes frias, reduzindo as condições de eventos severos de chuvas. 

Durante os próximos meses, as condições de tempo favorecem a formação de um corredor de umidade que corta o país de noroeste-sudeste, impactando diretamente no aumento das chuvas na região Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. Tal caracterização favorece a formação de tempestades isoladas e a formação de nuvens conhecidas como cumulonimbus, que na maioria das vezes provocam fortes chuvas e grandes quantidades de descargas elétricas, aumentando ainda mais o risco de operações a céu aberto e impactando diretamente no tráfego das principais ferrovias do país, podendo provocar chuvas fortes e raios. 

Diante disso, ter o entendimento de todas as condições favoráveis a acarretar em prejuízos as operações é uma das principais formas de se adaptar às mudanças climáticas e aos fenômenos de tempo severo provocados por estações de transição.

Setor mineral atento ao início do período chuvoso com o La Niña

Setor mineral atento ao início do período chuvoso com o La Niña

Estamos oficialmente na primavera, estação que marca o início do período chuvoso em grande parte do Brasil. Este período exige atenção redobrada dos setores impactados pelas condições de tempo e clima, principalmente as operações com atividades a céu aberto, como o setor mineral, pois as tempestades acompanhadas de raios, fortes rajadas de vento e até mesmo chuva volumosa, costumam provocar estragos. 

Nos últimos dias, fortes tempestades com raios já ocorreram em grande parte do centro-sul do Brasil, provocando danos. Ao longo dos próximos meses, elas se tornarão mais comuns devido à uma mudança no padrão da atmosfera, que aos poucos, vai adquirindo características tropicais devido a presença de calor e umidade, condições ideais para a formação dos temporais.

É importante destacar que o Brasil é o país com a maior incidência de raios no mundo, com uma média de mais de 70 milhões de raios sendo registrados anualmente, 70% deles apenas durante o período chuvoso (primavera e verão). Os reflexos da ocorrência elevada deste fenômeno podem ser vistos principalmente no alto número de mortes registradas, em torno de 110 óbitos anualmente, e também, no prejuízo financeiro ocasionado, que chega a 1 bilhão de reais anualmente, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). 

O fenômeno La Ninã continuará ativo durante a primavera?

Atualmente, estamos sob a influência do La Niña, fenômeno climático-oceânico caracterizado pelo resfriamento anormal das águas do oceano Pacífico que altera os padrões de chuva e temperatura em todo o globo. De acordo com as últimas análises, ele continuará ativo e influenciando o clima em território brasileiro durante toda a primavera.

Durante os próximos meses, é esperado um favorecimento para a formação de corredores de umidade que cortam o país de noroeste-sudeste, provocando o aumento das chuvas na região Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, que podem vir na forma de temporais.

Para evitar acidentes, otimizar a operação e mitigar os efeitos provocados pelas tempestades, é importante a utilização de plataformas de monitoramento do tempo severo, como o SMAC, o Sistema de Monitoramento e Alertas Climatempo, onde são enviados alertas georreferenciados e com antecedência.

Robson Miranda – Meteorologista e Consultor Comercial

Tecnologia nas rodovias

As previsões do tempo e monitoramento de riscos de eventos severos nem sempre foram tão precisos. Com o passar dos anos e a chegada de uma nova era tecnológica, o poder computacional aumentou, e muito, facilitando a velocidade dos cálculos e a interpretação das variáveis e condições de tempo. 

Para realizar a previsão do tempo é necessário entender fisicamente o comportamento dos fenômenos meteorológicos e representá-los matematicamente em equações matemáticas prognósticas, vamos lá. Mas você sabe o que é previsão do tempo? 

Podemos dividir o tempo em três grandes períodos, sendo eles:

  • Passado
  • Presente
  • Futuro

Na meteorologia, quando falamos em dados do passado, estamos falando sobre tudo aquilo que foi medido por uma estação meteorológica (histórico de dados), satélite, ou até mesmo modelado por meio de uma reconstrução histórica de dados. 

O Presente  é tudo aquilo que ocorre em tempo real, ou seja, são todos aqueles dados que estamos observando neste exato momento, temperatura, descargas elétricas, direção e velocidade do vento, entre outros. Uma ferramenta utilizada pelos meteorologistas que dão uma ideia do tempo presente são as estações meteorológicas medidas in situ, satélites e radares meteorológicos. 

Para o futuro, nós temos as previsões de tempo clima, que são feitas por meio de modelos meteorológicos rodados a partir de grande poder computacional. Tais modelos têm como premissa entender fisicamente os fenômenos ambientais. Os modelos rodam em grade, e  têm o objetivo de cobrir com dados todo o globo, ainda que não seja o ideal, é sem dúvida uma ferramenta de grande auxílio para analisar os estados de tempo futuro. 

O avanço tecnológico permitiu que cada vez mais fosse possível ter medidas das variáveis meteorológicas com maior precisão e, consequentemente, melhores previsões de tempo e tendências de clima são possíveis de se descrever. Ainda que a tecnologia tenha avançado, no Brasil a falta de incentivo ao avanço tecnológico fez com que o país parasse em uma zona de estagnação, ainda que, diversos estudos venham sendo desenvolvidos e, com o auxílio de machine learning, as bases históricas de dados pode ser reconstruídas. 

Como um modelo meteorológico funciona? 

Bem, basicamente, a premissa é conseguir representar o que acontece com os fenômenos meteorológicos de uma forma que possa-se antever seus deslocamentos e atividades. Por exemplo, vamos imaginar uma parcela de ar, em diferentes temperaturas. Hoje, é mais que sabido que, uma parcela de ar a uma temperatura T que sofre resfriamento irá comprimir de acordo com a temperatura na qual é submetida, e a valores maiores de T, a parcela de irá expandir o seu volume. Tendo este fenômeno representado, física e matematicamente, fica fácil descrever os locais que irão ou não ter chuvas.

Os modelos meteorológicos são muito utilizados nas rodovias do Brasil, visto que é possível antever os riscos a eventos meteorológicos que impactem as atividades com grande precisão. Utilizar os modelos para antever alagamentos, riscos de deslizamentos, enchentes, ventos fortes e nevoeiro é de extrema importância para evitar acidentes. Além disso, quando pensamos em longo prazo, os modelos auxiliam nas tendências de mudanças climáticas, fornecendo cenários de riscos que, com um bom planejamento, as operações poderão ser adaptadas. 

A evolução da meteorologia e sua relação com o setor portuário

Desde a era primitiva a meteorologia está presente na vida do homem. As informações meteorológicas ajudaram a mudar e moldar a história em diversos momentos, como em guerras, durante crises (econômicas, sociais, entre outras) em civilizações antigas e nas atuais, entre outros. Além disso, esta ciência se transformou ao longo dos anos, principalmente, devido ao avanço da tecnologia.

A criação dos supercomputadores e dos modelos numéricos – conjunto de equações que descrevem o comportamento da atmosfera – foi um momento de extrema importância na meteorologia, pois a capacidade de realizar milhões de cálculos em um curtíssimo período possibilitou que as previsões fossem feitas no tempo hábil e para diversas regiões.

Na meteorologia existem dois tipos de modelos, os de clima, que ajudam a entender o comportamento da atmosfera no passado e as projeções para o futuro e, os modelos de previsão do tempo, que são utilizados para previsões de curto prazo, de poucos dias à frente. Para dar o “start”, os modelos meteorológicos precisam de uma condição inicial, chamado dado de entrada.

Atualmente, existem milhares de equipamentos na superfície terrestre como estações meteorológicas, radiossondagens, radares meteorológicos, sensores e bóias oceânicas e, na órbita terrestre, como os satélites. Estes instrumentos estão registrando os dados das diversas variáveis atmosféricas (chuva, vento, temperatura, umidade, pressão, entre outros) que servem como um pontapé inicial para o funcionamento dos modelos numéricos que utilizam essas informações para resolver as equações que descrevem a atmosfera.

A contínua evolução tecnológica 

Mesmo com toda a tecnologia atual, as previsões de tempo e clima erram em alguns momentos, isso ocorre, principalmente, pela difícil tarefa de se obter dados sobre diversas regiões do planeta, inclusive em muitas regiões do Brasil, o que acaba comprometendo a condição inicial. Além disso, a atmosfera é considerada um sistema caótico, pois qualquer alteração na condição inicial, pode gerar resultados completamente diferentes.

Para resolver essas limitações, cientistas e profissionais da área em todo o mundo, estudam e trabalham para que as previsões de tempo e clima continuem evoluindo e atendendo as demandas cada vez mais frequentes devido principalmente, às mudanças climáticas.

É nítida a evolução das informações meteorológicas ao longo dos últimos anos e sua importância principalmente para setores com operações sensíveis às condições de tempo e clima, como as do setor portuário. A Climatempo, atenta às demandas das empresas do setor, possui em São José dos Campos um laboratório, onde são desenvolvidos relatórios e projetos específicos para empresas dos diversos setores da sociedade, contribuindo para a constante evolução da meteorologia.

Fique por dentro das principais informações para o seu setor, acompanhe a página Climatempo Infra, e qualquer dúvida entre em contato conosco. 

Robson Miranda – Meteorologista e consultor comercial 

Efeitos globais na operação das ferrovias

Vivemos dentro do mesmo sistema chamado de terra, onde toda e qualquer influência é sentida em todo o globo. No último volume da nossa revista, mostramos a teoria de Lorrenz, que apontou em sua teoria que um evento que ocorre a milhares de km de distância da nossa localização tem um impacto direto nas condições do nosso clima. Durante anos os efeitos de larga escala foram estudados por diversos cientistas que comprovaram que os eventos que ocorrem nos oceanos, por exemplo, têm impacto direto sobre regiões específicas do continente Sul Americano. Os primeiros estudos de Teleconexões foram sobre a Oscilação Sul em 1932. Nele os pesquisadores Walker e Bliss encontraram correlações negativas entre diferentes regiões do pacífico, ou seja, o que iria ocorrer em uma região, teria correlação com eventos contrários que ocorrem em uma segunda região. 

Os anos se passaram e cada vez mais os estudos sobre tais impactos e correlações foram se aprofundando. Atualmente, sabemos que existem teleconexões nos Hemisférios Norte e Hemisfério Sul, mas como tais eventos podem impactar as operações das ferrovias? Antes de responder tal questão, devemos conhecer tais eventos. 

Como destaque maior aos eventos de teleconexões está a Oscilação Sul (OS). A OS têm impacto direto nos ativos das empresas na américa do sul, seja por regime baixo ou alto de precipitação, o que impacta não somente as atividades operacionais, mas também os custos diretos com energia.

Dos eventos que mais impactam as operações e as atividades das ferrovias na região brasileira estão os fenômenos de La nina e El nino, e tais eventos trazem prejuízos econômicos diretos no Brasil e consequentemente para os operadores ferroviários. Aqui na América do Sul (AS) é afetada por ondas conhecidas como cavados e cristas. Os cavados e cristas são fenômenos que acarretam chuvas ou secas em determinada região. A influência do Pacífico Atlântico Sul (PSA) em escala intrasazonal afeta as regiões Centro-Oeste, Sudeste e sul da região Nordeste por meio da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). A ZCAS é um dos principais sistemas chuvosos que desencadeia riscos de alagamentos, inundações, deslizamentos, descargas elétricas, entre outros. Este é um dos exemplos de sistemas de teleconexões que ocorrem no país e impactam regiões localizadas do país.

Outro exemplo comumente encontrado na literatura são sistemas de bloqueio, ou seja, fenômenos de grande escala e, escoamento de ondas que impedem a passagem de sistemas frontais na região Sul do país. Os sistemas de bloqueio impactam diretamente as ferrovias da região sul do país, pois quando atuante, favorece com que os sistemas frontais fiquem estacionados e, consequentemente, o volume de chuvas e a intensidade da ocorrência destes eventos são mais intensos, chuvas intensas e volumosas, alterações das marés, ventos e ondas fortes.

Diante deste motivo, entender os cenários de vulnerabilidade climática é uma das maneiras de reforçar a resiliência das operações. A Climatempo tem expertise no mercado com estudos de tal magnitude, que auxiliam as empresas nas tomadas de decisões e na agenda ESG, frente a uma economia humana e de baixo carbono.

Fique por dentro das principais informações para o seu setor, acompanhe a página Climatempo Infra, e qualquer dúvida entre em contato conosco. 

OMS aponta aumento nos eventos extremos e redução de mortes

Que a meteorologia faz parte do dia a dia das pessoas isso todos nós já sabemos. Sempre que pensamos em sair na rua, passar um final de semana na casa dos avós, tios, na montanha, na praia, damos uma olhadinha no que se espera das condições de tempo. De fato, o tempo e o clima devem estar sob o olhar atento de todas as atividades, tais como produção industriais, mineradoras, transportadoras, navegação, aviação, varejo, agronegócio, todas as atividades econômicas que conhecemos dependem das condições do tempo. 

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) apontou para mudanças bruscas no clima em toda América latina e no Caribe, de acordo com o estudo mundial do clima. Segundo imagens do estudo realizado pela organização, a temperatura média global nos últimos anos teve um aumento brusco e todos os modelos analisados convergem para tal cenário. 

Figura: Simulação da diferença anual da temperatura em relação a média de 1850-1900. 

No início do ano a OMM já havia alertado que as chances de ultrapassarmos 1,5ºC de temperatura média global era mais de 50%, mas o que isso quer dizer? 

O aumento da temperatura média global tem impactos diretos em diferentes regiões do globo. Vamos imaginar que, quando falamos de atmosfera, estamos nos referindo a eventos inteiramente conectados, ou seja, como o matemático Lorenz sugeriu na teoria do caos, podemos traduzir de forma que um bater de asas de uma borboleta no Brasil poderia causar um tornado no Texas (USA). Isso quer dizer que, o aumento da temperatura média do planeta acarreta em variações significativas da temperatura em regiões específicas, onde locais tendem a ficar muito mais quentes do que já são, e a amplitude térmica é cada vez maior. 

Nos últimos meses vimos a grande onda de calor na Europa e, segundo o Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia aproximadamente 47% do território do bloco está sob condições de alerta de seca. Ainda, pesquisadores apontam que há cerca de 93% de chance de os eventos de calor extremos nos próximos anos serem ainda maiores até 2026. Embora os eventos climáticos venham sendo mais intensos nos últimos anos, a OMM aponta que as mortes por eventos extremos vêm diminuindo a nível global. Na última década o número de mortes foi um terço do número de mortes reportadas em 1970 ou 1980, o que é uma grande notícia, dado que o número de eventos extremos aumentou de 711 para mais de 3.100 nos últimos anos. Mas a que se atribui a redução nas mortes? 

Hoje em dia o número de recurso para o envio de alertas de tempo extremo e mudanças nos padrões climáticos é o fator dominante para a redução da quantidade de mortos, de fato, o acesso às novas tecnologias no permitiram desenvolver sistemas de alertas de eventos extremos com muita precisão, um exemplo é a ferramenta SMAC, que permite que o usuário tenha o controle sobre os fenômenos de tempo severo que estão próximos a sua localidade ou a previsão de tais eventos nos próximos dias. 

Embora o número de mortes tenha diminuído com os anos devido ao avanço das tecnologias e da meteorologia como um todo, o número de prejuízos econômicos devido à perda de ativos por eventos extremos aumentou e está ascendendo, como reportado pelo relatório econômico divulgado pelo fórum econômico mundial. 

No caminho pelo avanço tecnológico, a Climatempo vem desenvolvendo cada vez mais, ferramentas e projetos de pesquisa que contribuam para a redução dos mortos e a mitigação dos prejuízos econômicos gerados por eventos extremos e pelas mudanças climáticas. Os riscos a tais eventos devem ser compreendidos pelos setores econômicos e estar sendo monitorados continuamente, fomentando cada vez mais a resiliência das organizações e dos setores econômicos.  

NOSSOS CLIENTES
E PARCEIROS