Uso da tecnologia alinhada ao ESG

O encerramento da COP-27 nos fez pensar sobre algo, como as empresas estão trabalhando com a tecnologia e com soluções baseadas na natureza para garantir o futuro das próximas gerações e também manterem-se economicamente ativas?

Quando pensamos em resiliência empresarial, temos que olhar para a agenda 2030 e também para os conceitos ASG. Companhias que pensam no crescimento estratégico e ainda preocupam-se com o meio ambiente, justiça social, e governança corporativa devem olhar com atenção para as novas tecnologias. 

Com stakeholders cada vez mais exigentes e presentes nas convenções e conferências empresariais, os principais empresários mundiais deixam claro que ferramentas tecnológicas não podem estar afastadas do comprometimento com a descarbonização, planos de mitigação e adaptação dos diversos setores empresariais. 

A título de exemplo, hoje em dia existem ferramentas que auxiliam as empresas a trabalharem com seus riscos nos três pilares da sustentabilidade. Por exemplo, ferramentas que facilitam o entendimento da contribuição ambiental, social e de governança dos diferentes departamentos. 

Quando falamos de resiliência, a empresa deve estar munida de artefatos que mantenham a segurança dos seus dados, visto que, com o crescimento da inteligência artificial, o maior número de dados e de informações guardadas da empresa, auxiliam cálculos estatísticos dos quais irão fornecer caminhos de como e onde a direção executiva pode criar estratégias de crescimento econômico. Além disso, a governança poderá criar normativas de divulgação de resultados com os stakeholders, deixando claro a segurança dos seus dados. 

Outras ferramentas de cunho ambiental, auxiliam os tomadores de decisão na hora de planejar obras, descarte de resíduos, e todo o planejamento ambiental que vá além das normativas ISO. Tecnologias de organização ambiental fazem com que a companhia crie mais aderência a sua cadeia de valor, garantindo a segurança operacional e agradando muitos dos seus stakeholders.

Visando o cunho social, a tecnologia vem evoluindo em níveis gigantescos, desde softwares que acompanham o nível de satisfação do funcionário quase que em tempo real, além de monitorar toda a cadeia de fornecedores. Ferramentas de monitoramento das questões ambientais também garantem aos colaboradores segurança frente aos riscos e adversidades de tempo severo, fazendo com que a empresa tenha boas notas de satisfação nos principais indicadores de trabalho.

Independentemente de quais são os temas principais da matriz de materialidade da empresa, apostar em soluções de tecnologia para o desenvolvimento dos pilares ASG são comprovadamente lucrativas no longo prazo, pois garantem a segurança e a visibilidade do negócio. 

Tenha acesso a mais informações na Revista do Clima para ficar por dentro de tudo que envolve o seu setor.

Contribuição da Meteorologia no Setor Ferroviário

Quando se fala em mudanças climáticas é necessário entender que este problema afeta em muito a sociedade, desde a geopolítica até as economias e migrações, moldando as cidades e até as expectativas de vida. Essa ameaça vale para todo o mundo, com as temperaturas e nível do mar subindo cada vez mais. De incêndios intensos a secas prolongadas e inundações recorrentes, temos consequências no próprio progresso do desenvolvimento mundial.

O setor de infraestrutura é vital para o funcionamento de toda cadeia produtiva. Consideramos esse setor como a espinha dorsal da economia global, permitindo a conexão entre lugares, melhora na qualidade de vida, além de promover mais saúde e segurança para a população. 

Quando algo de errado acontece nos transportes, as consequências vão além de apenas danos diretos aos ativos, muitas vezes, há um efeito cascata devido a interrupção dos serviços.

A cada ano, temos mais evidências das vulnerabilidades do setor. Chuvas mais intensas e frequentes, por exemplo, forçam a infraestrutura que já não é suficiente para suportar eventos atuais e que fatalmente serão amplificados.

Se tratando do transporte de carga, atualmente o Brasil depende, majoritariamente, das rodovias, com aproximadamente 52% da carga transportada, em seguida, encontram-se as ferrovias (30%). Com o aumento na intensidade de chuvas e ventos temos inundações em estradas e ferrovias, além dos deslizamentos de terra. O bloqueio de rotas e os danos em infraestrutura, afetam todo o sistema de logística e por consequência, as atividades econômicas do país.

Eventos climáticos extremos impactam nas operações ferroviárias e na segurança, com possíveis danos materiais, ferimentos e mortes. A infraestrutura ferroviária é uma das mais afetadas pelos impactos da mudança do clima. Temos então:

    • Altas temperaturas e ondas de calor, ocasionam o empenamento do trilho, gerando defeitos de geometria e comprometendo o uso da via, além do superaquecimento de equipamentos elétricos. 

    • Precipitação intensa levam a inundações de linhas ferroviárias e túneis subterrâneos, deslizamentos e riscos associados que podem causar descarrilamento. 

    • Baixa Precipitação acarreta uma maior suscetibilidade a incêndios florestais que ameaçam diretamente a infraestrutura de transporte, alterações na rede de alimentação elétrica e maior suscetibilidade a deslizamentos de solo em áreas atingidas por incêndios. 

A previsão do tempo faz parte do nosso cotidiano. Afinal, saber como estará o clima influencia no planejamento diário e a longo prazo no caso de viagens. No entanto, a meteorologia vai muito além disso e impacta, também, na gestão de atividades essenciais como o setor de transportes. 

O grau de precisão das previsões vem evoluindo  nas últimas décadas. “Se nos anos 1980 o nível de acerto excelente era em torno de 70%, hoje nos preocupamos quando não conseguimos atingir pelo menos 90%. O nível de acerto de previsão de tempo até 48 horas do Inmet gira em torno de 90% a 95% de acerto”, detalha o meteorologista Mozar de Araújo Salvador. 

“Nossos trabalhos não conseguem ser executados em um período chuvoso, então hoje os coordenadores responsáveis pela dinâmica dessas atividades conferem dia a dia, hora a hora, a previsão dessas chuvas […]. Trabalhamos sempre ligados na meteorologia porque é o nosso carro-chefe”, afirma o engenheiro civil Thiago Furquim.

Como exemplo de aplicação da meteorologia no setor ferroviário, temos que a Ferrovia Centro-Atlântica implementou um serviço de monitoramento para evitar problemas nas operações por causa de eventos climáticos imprevistos. O sistema auxilia no planejamento das atividades, na adoção de medidas preventivas e na resposta rápida a problemas causados por nevoeiros e deslizamentos, entre outras condições climáticas.

O sistema envia relatórios com a previsão dos próximos cinco dias, monitorando temperatura, velocidade dos ventos, umidade do ar, chuvas, descargas atmosféricas, geada e focos de incêndio. O alerta às áreas operacionais é feito com 72 horas de antecedência e confirmado com 24 horas. As previsões com cinco dias de antecedência têm índice de acerto de 85%. Com 72 horas de antecedência, esse índice sobe para 93%.

A previsão do tempo com cada vez mais precisão garante uma melhor qualidade de vida para as pessoas, aumenta a eficiência operacional das ferrovias e também protege vidas em caso de fenômenos agressivos como tsunamis, terremotos, furacões, enchentes e secas.

A meteorologia moderna é uma importante área da ciência e que tende a ficar cada vez mais eficaz, garantindo uma previsão do tempo a longo prazo e possibilitando um planejamento mais seguro.

Meteorologia aliada ao desenvolvimento das mineradoras

Normalmente é difícil pensar espontaneamente que a meteorologia pode fazer toda diferença na vida das pessoas, mas na realidade, ela é essencial para garantir que grande parte das atividades humanas operem corretamente. Seja no agronegócio para estimar a produção da próxima safra, seja no setor energético para avaliar a geração e a distribuição de energia, ou até mesmo no varejo, para determinar a demanda de venda de produtos para a próxima estação.

Assim como em diversos setores, na mineração a meteorologia também é essencial. Um exemplo muito claro de eventos meteorológicos que influenciam diretamente nas atividades mineradoras é a chuva. Uma precipitação intensa pode colocar em risco a operação em barragens contendo detritos metálicos. Nessas circunstâncias, o monitoramento das condições de tempo apresenta-se como uma excelente ferramenta para garantir a segurança e a eficiência nas mineradoras.

Devido às mudanças no clima, eventos adversos estão se tornando cada vez mais frequentes. Por consequência, transformações são necessárias para reduzir esses impactos sentidos. Logo, a descarbonização do planeta e a adoção da agenda ESG (sigla em inglês para governança ambiental, social e corporativa), são metas que devem ser atingidas para cumprir o objetivo de mitigar os efeitos climáticos.

Para as mineradoras, as medidas de contenção das mudanças no clima afetam praticamente todos os estágios de operação. O desafio para se adaptar à nova realidade é grande. Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), os principais riscos para o setor são:

  • Aumento da competição por recursos sensíveis ao clima, tais como água e energia;
  • Interrupção de atividades de portos, ferrovias e estradas, o que implica no encarecimento do preço da matéria-prima e atraso de entregas;
  • Aumento do custo da energia e da produção de biocombustíveis;
  • Danos físicos diversos aos ativos da indústria, devido aos eventos extremos;
  • Redução da eficiência de equipamentos, exigindo mudanças operacionais, até mesmo influenciando a demanda por serviços específicos; e
  • Impactos sobre a infraestrutura crítica relacionada à energia, ao transporte, às telecomunicações e ao fornecimento de água, o que implica em consequências negativas à indústria brasileira.

Frente a esses desafios para estabelecer medidas que sejam sustentáveis no âmbito social, ambiental e corporativo dentro do setor minerador brasileiro, é de extrema necessidade, o auxílio governamental para incentivar o desenvolvimento de regulamentações, que permitam mais investimento em infraestrutura, pesquisa e tecnologia. Outra forma de promover o crescimento sustentável do setor, é aumentar a atuação de startups para auxiliar as mineradoras em processos que atualmente não possuem boas práticas.

Dito isso, é perceptível que os eventos climáticos afetam diretamente e indiretamente toda a operação mineradora. Por essa razão, a meteorologia é tão importante para a mineração, que ela é capaz de modificar toda a cadeia estrutural do setor, tornando-o mais apto às novas necessidades mundiais. Sendo assim, o monitoramento meteorológico, o estudo da climatologia e os alertas de riscos, são primordiais para o planejamento adequado a curto, médio e longo prazo.

COP 27 – Protocolo Empresarial para Extremos Climáticos!

“Devemos trabalhar juntos para a implementação. Precisamos agir, e agir agora, para salvar vidas e meios de subsistência”. Destaca o presidente da COP 27

Neste final de semana deu-se início a COP 27, o encontro de líderes mundiais que irão discutir sobre que rumos estamos tomando quanto nação frente às mudanças climáticas e desigualdades sociais. Na conferência, diversos temas são abordados, desde a transição energética até temas mais específicos como fome e doenças oriundos de nosso consumo sem freio aos recursos ambientais. 

A COP27 abriu no domingo e já trouxe dados alarmantes que devemos sim nos preocupar, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a crise ambiental poderá provocar 250 mil mortes a mais do que as registradas atualmente por fome e doenças como por exemplo desnutrição, malária e diarreia. Além disso, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) abriu o evento comunicando que os últimos 8 anos foram os que registraram recordes de aumento de temperatura, e que em 2022 a temperatura média global já ultrapassou 1ºC em relação à média do período industrial. 

Segundo Sameh Shoukry atual presidente da COP em discurso de abertura, ele destaca o que a população, estados e os grandes players da economia mundial devem ter de preocupações para com o futuro, onde a há uma obrigação de acelerar as ações climáticas em todas as frentes, focar em mitigação, adaptação. 

Em estudos realizados pela Climatempo neste ano, as mudanças nos padrões climáticos e os altos valores de temperatura média global registrados nos últimos anos corroboram para um aumento de eventos severos e de riscos climáticos no Brasil. Na região costeira brasileira, em específico o porto de Santos-SP têm-se observado que os padrões de velocidade e direção do vento já vêm se alterando, o estudo completo será publicado no CIDESPORT 2022. 

Além disso, será lançado na COP27 um estudo de vulnerabilidade socioambiental realizado a partir de uma parceria entre o Instituto Ethos e a Climatempo, no qual contou com a participação do nosso meteorologista e analista de sustentabilidade Álvaro Ávila, que mostrou a vulnerabilidade de algumas regiões do país estarem mais suscetíveis a eventos severos, e que estes eventos que estão aumentando no Brasil, podem causar riscos sociais, ambientais e econômicos no país. 

Devemos ficar de olho na COP27, que é um evento de transição, ou seja, onde questões devem ser discutidas para assim fechar compromissos com as agendas climáticas futuras. Devemos esperar que os líderes mundiais e os setores econômicos brasileiros sejam favoráveis a uma agenda de preservação, mitigação e adaptação aos riscos sociais e financeiros frente às mudanças climáticas. 

Logística alinhada ao Nature Based Solutions

Você sabia que promover soluções baseadas na natureza pode auxiliar no resfriamento do planeta? 

Nos últimos anos o setor de logística vem sendo um dos maiores em emissões de gases de efeito estufa e, nos últimos anos, representava o setor que vem buscando avançar tecnologicamente e correr contra o tempo em uma economia de baixo carbono. Entretanto, como fazer um setor tão importante para a sociedade e para a máquina econômica brasileira se tornar referência em mitigação de gases de efeito estufa?

Uma resposta que pode ser promissora é a adoção das soluções baseadas na natureza (do inglês: Nature Based Solutions). Mas para entender como o setor de transporte e logística está ou deverá se adequar temos primeiro que entender o que são estas soluções. Como o próprio nome já diz, nature based solutions são soluções que corroborem com a ciência e a natureza encontradas para manter a produção ou o desenvolvimento com sustentabilidade economicamente viável e socialmente justa.  Podemos dizer então que a NBS envolve trabalhar com a natureza para direcionar mudanças na sociedade proporcionando os benefícios de vida para a sociedade humana e também para a biodiversidade. Principalmente as ações que envolvem proteger, restaurar e gerir os recursos naturais e semi naturais do ecossistema. 

Um estudo publicado por Giardini et al., 2021 mostra que apostar em projetos de reflorestamento e restauração de áreas degradadas pode reduzir os efeitos das mudanças climáticas com o passar dos anos, e assim corroborar para uma sociedade sustentável. Na figura 1 são apresentados a variação da temperatura média global em relação a média de 1850-1900 (recomendação do IPCC). De acordo com nosso estilo de vida atual e nossas atividades emissoras, espera-se que em um cenário de aquecimento de 2ºC o uso de NBS pode reduzir em até 0.3ºC a temperatura média global, e em um cenário de aquecimento de 1.5ºC o uso de tal metodologia pode reduzir a temperatura média em até 0.1ºC. Vale destacar que o decrescimento da média de temperatura global, pode resultar em variações mais acentuadas em regiões específicas do globo. Os autores destacam que para tais cenários serem possíveis é necessário um longo período de práticas, visto que o período para os projetos de restauração ou preservação devem ser contínuos e captarem CO2 ao longo dos anos. 

Figura 1: Potêncial de redução da temperatura do NBS se for destinado a longevidade.

O setor de logística e transportes além da tentativa de mitigação das emissões por meio da troca de transportes emissores (Diesel e Gasolina), podem corroborar com a adoção de projetos de NBS para reduzir e/ou evitar que grandes quantidade de CO2 seja depositado na atmosfera ao longo dos anos. Vale destacar que além de promover a remoção do gases de efeito estufa emitidos, muitos projetos de NBS também contribuem para o desenvolvimento socioeconômico sustentável de comunidades. 

A Climatempo desenvolve estudos e projetos que podem auxiliar as empresas a solucionar problemas encontrados no seu setor. Quer saber mais? Entre em contato através do email verticalinfra@climatempo.com.br.

Exigências da Europa por exportações sustentáveis

Frente aos riscos dos efeitos catastróficos relacionados às Mudanças Climáticas, as organizações governamentais estão tomando medidas para minimizar os impactos ao meio ambiente e garantir que as próximas gerações tenham uma vida mais sustentável. A União Europeia seguindo esse caminho, iniciou uma série de ações que visam proteger o ecossistema e reduzir os riscos ambientais futuros. 

Contextualização do Pacto Ecológico Europeu:

No dia 14 de julho de 2020 os 27 países que compõem a União Europeia (UE), estabeleceram o Green Deal. Conhecido também como Pacto Ecológico Europeu, tem como principal objetivo transformar a UE em bloco que possua uma economia moderna, eficiente na utilização dos recursos naturais e competitiva para garantir o bem estar da sociedade atual e das próximas gerações. Esse pacto estabelecido entre os países da UE tem como metas:

  • anular as emissões líquidas de gases de efeito estufa do bloco até o ano de 2050;
  • dissociar o crescimento econômico da utilização exacerbada de recursos naturais;
  • promover o crescimento equalitário de todas as regiões pertencentes ao bloco.

Adotando essas medidas a UE acredita que está no caminho certo para garantir uma melhora significativa na vida dos habitantes do bloco europeu.

Como o Pacto Ecológico Europeu pode afetar a economia brasileira?

Visando atender às metas estabelecidas no Pacto Ecológico Europeu, a UE pretende restringir o comércio com outros países que não se adequarem às suas exigências. Portanto, para que o Brasil não perca espaço em um mercado com mais de 500 milhões de consumidores, será necessário que ele se adeque às novas políticas de sustentabilidade.

Levando em conta que a União Europeia é a segunda maior consumidora dos produtos de origem brasileira, como o café, carne, soja entre outros, a possibilidade de perda desse mercado resulta em uma grande preocupação para a economia nacional. Portanto, para manter o comércio com a UE, o Brasil  deve ficar atento às seguintes demandas:

  • ações que minimizem as questões climáticas, como a redução das queimadas e do desmatamento na Amazônia;
  • produção de alimentos mais saudáveis reduzindo a utilização de agrotóxicos, principalmente os que são proibidos na comunidade europeia;
  • modernização da infraestrutura das cidades com a adoção de sistemas para aproveitar a água da chuva, aproveitamento da energia solar e uso de vegetação nas paredes externas, visando tornar os centros urbanos mais sustentáveis.

Fique por dentro das ações e soluções propostas pela Climatempo para deixar suas operações mais sustentáveis, fale conosco pelo email verticalinfra@climatempo.com.br.

A Mineração frente às dificuldades das operações a céu aberto

A mineração é um setor que possui diversas atividades realizadas à céu aberto e por esse motivo, existe um forte impacto das chuvas, principalmente se estas forem acompanhadas por uma grande quantidade de descargas atmosféricas. Essas tempestades de raios ocorrem em todo país e durante todo o ano, sendo que em algumas regiões são mais intensas e frequentes no período chuvoso nos meses de outubro a março.

Nessa época na região Sudeste é comum recordes de chuvas, porém mesmo fora do período chuvoso também há episódios de chuvas intensas, reforçando a importância do monitoramento meteorológico para essas atividades. Consideramos também que a mineração é sensível às mudanças climáticas devido à dependência direta de recursos minerais como matéria-prima, além da integridade da infraestrutura. 

Como existem diversas evidências sobre os prejuízos econômicos e sociais ocasionados por eventos climáticos, e pensando no atual cenário de escassez hídrica no Sudeste, é de suma importância a adoção de estratégias adequadas de adaptação, voltadas para a melhoria da gestão das oportunidades e dos riscos climáticos, para a atenuação das perdas econômicas e para o aumento da resiliência climática.

O setor de mineração no Brasil apresentou uma queda de desempenho no primeiro trimestre de 2022, segundo dados do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM). Na comparação com o mesmo período de 2021, a produção caiu 13%, enquanto que o faturamento encolheu 20%, além de uma redução das exportações em 22,8%.

De acordo com o IBRAM, dois fatores contribuíram para esse cenário. O primeiro está relacionado à China, principal importadora dos minérios do país. No primeiro trimestre as exportações para os chineses caíram 31% em relação ao ano passado. O segundo fator foram as fortes chuvas de janeiro em Minas Gerais, onde diversas unidades foram paralisadas por precaução ou para manutenção, impactando a produção.

Atrasos nas operações, aumento dos custos, falta de mão de obra e danos ambientais, são alguns dos prejuízos que o setor pode sofrer sem o preparo adequado para as mudanças climáticas. “A mineração tem muitas estruturas sujeitas a fenômenos meteorológicos: barragens de rejeito, infraestrutura de transporte, entre outros. Toda a dinâmica associada ao negócio de mineração pode ser afetada pelo clima”, explica Rinaldo Mancin, diretor de assuntos ambientais do IBRAM.

Baseada no relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a Universidade de Cambridge publicou o trabalho Climate Change: implications for extractive and primary industries (Mudança Climática: implicações para indústrias primárias e extrativistas), trazendo uma análise do cenário climático atual e as soluções para os principais problemas causados pelo clima no setor de mineração. Segundo os estudos, independente do risco que os eventos climáticos possam ocasionar, o mais importante para prevenção é o planejamento.

Entre os pontos levantados nos estudos, alguns deles são:

  • Investir recursos de planejamento em áreas que promovam o conhecimento dos riscos e das oportunidades das mudanças climáticas e o desenvolvimento de abordagens de adaptação sólidas, de acordo com a cultura operacional e corporativa da companhia;
  • Aperfeiçoar padrões do design de engenharia, critério de design e especificações de contrato, levando em conta as mudanças climáticas;
  • Realocar ou aumentar as operações fora das áreas de risco;
  • Aumentar a frequência de manutenção e monitoramento dos ativos sensíveis aos efeitos do clima;
  • Preparar-se para situações críticas com cadeias de suprimentos alternativas, fontes de reserva de água e energia;
  • Diversificar as operações e o investimento em diferentes regiões geográficas, commodities e mercados;
  • Ter um seguro contra riscos inevitáveis;
  • Construir relacionamentos com as comunidades locais para informar sobre ações de adaptação, riscos potenciais e sistemas de alerta;
  • Reter ou restaurar barragens naturais em ambientes costais e fluviais para aumentar a resistência contra enchentes, erosões, tempestades e outros eventos climáticos extremos;
  • Eliminar ou reduzir pressões não relacionadas ao clima nos ecossistemas e espécies em risco pela conservação ambiental e o planejamento de gerenciamento da terra.

Conheça as soluções fornecidas pela Climatempo Infra para mitigação dos impactos causados no setor de Mineração.
E qualquer dúvida entre em contato com nossa equipe através do email verticalinfra@climatempo.com.br.

27ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 27)

Amenizar os impactos das mudanças climáticas a partir de mecanismos que possam ser aplicados em nível global, este é o objetivo da ONU ao realizar anualmente a Conferência das Partes (COP). A COP-27 é o maior e mais importante evento já realizado sobre esta pauta, acontecendo entre 6 e 18 de novembro no Egito.

O relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) divulgado em fevereiro deste ano, que analisa as vulnerabilidades, capacidades e limites do mundo e da sociedade para se adaptar às mudanças climáticas, servirá de guia no evento. O documento destaca com ainda mais dados em relação ao relatório anterior, os efeitos dessas mudanças no planeta.

Um dado preocupante apresentado pelo relatório e que deve ser levado à conferência é o fato de os cientistas detalharem que as temperaturas mais altas estão levando a mais “extremos compostos.” Isto é, quando várias ameaças climáticas (como temperaturas extremas e precipitação) ocorrem ao mesmo tempo e no mesmo lugar e/ou repetidas vezes. 

Durante a conferência, os países devem definir aspectos para implementar o Acordo de Paris, analisar os compromissos atualmente trabalhados e dar previsibilidade ao financiamento climático. Dessa forma, haverá debates sobre a adaptação climática, mitigação dos Gases de Efeito Estufa (GEE), o impacto climático na questão financeira e a colaboração para conter o aquecimento global.

Segundo Patrícia Espinosa, secretária executiva da Convenção do Clima da ONU, “a ciência é clara: devemos ver mais ações [extremas] do clima nesta década, e se quisermos alcanças a neutralidade de carbono até 2050 e, em última análise, a meta de 1,5 grau, precisamos acelerar as ações [para promover a neutralidade de carbono]”. A COP-27 vem com uma pressão, já que o mundo como um todo ainda está longe do necessário para alcanças as metas do Acordo de Paris.

“[A COP 27] será uma COP de implementação. Então, nosso foco é garantir que tudo o que está sendo dito também esteja sendo implementado”, afirmou Mohamed Nasr, negociador-chefe do Egito para a Conferência de Sharm el-Sheikh.

Além disso, a conferência será uma oportunidade para que a agricultura mostre os avanços alcançados em termos de redução de emissões de gases de estufa e também cobre, dos países desenvolvidos, o cumprimento dos compromissos de financiamento de ações climáticas nos países em desenvolvimento.

“A COP27 é uma oportunidade para se ter muita visibilidade, pela importância que a agricultura tem no arranjo internacional. Devemos tentar reverter alguns conceitos que estão instalados na opinião pública internacional relacionados à responsabilidade do processo de produção agrícola nas mudanças do clima. Como bem colocado, nós somos os mais vulneráveis, os mais afetados e os mais interessados em contribuir para a mitigação dos efeitos”, destacou o Ministro de Pecuária e Agricultura do Uruguai, Fernando Mattos.

O professor Rattan Lal, um especialista em ciências do solo, explicou que as boas práticas agrícolas servem para a conservação dos recursos naturais, a gestão de nutrientes e a mitigação da mudança do clima por meio do sequestro de carbono. Deve-se considerar também, a importância de que os agricultores, que são os elos mais fracos da cadeia de produção de alimentos e também os mais vulneráveis frente à mudança do clima, sejam considerados.

“As estratégias de adaptação estão aumentando, e é disso que se necessita, mas precisamos fazer mais ainda”, afirmou Rosenzweig, pesquisadora sênior e chefe do grupo sobre impacto climático do Instituto Global de Estudos Espaciais da NASA.

A cientista norte-americana abordou os impactos atuais e os previstos das mudanças climáticas na agricultura: “Teremos mudanças climáticas muito mais extremas, e a segurança alimentar será cada vez mais afetada. Existem impactos atuais e projetados significativos em muitas regiões: as precipitações e as temperaturas extremas se intensificarão; e haverá redução no fornecimento ou no suprimento de água com repercussão na produção agrícola e na pesca tradicional, o que impactará a segurança alimentar e os meios de vida rurais dos agricultores, especialmente os pequenos e médios agricultores, dos pescadores e dos povos indígenas”, concluiu a especialista.

Dessa forma, a 27ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 27), acontece num momento crítico e deve trazer à tona assuntos de interesse global. A agricultura é um dos pilares econômicos de todo o mundo e os impactos do clima nesse setor podem gerar graves consequências para o futuro da humanidade. É de suma importância que os temas abordados nesta conferência sejam colocados em prática para mitigar os impactos dos eventos extremos que estão cada vez mais frequentes. 

Meteorologia alinhada a segurança em portos

Principais riscos meteorológicos em portos e navios

O setor portuário no Brasil vem crescendo nos últimos anos, segundo a Agência Nacional de Transporte Aquaviários (ANTAQ), apenas no primeiro semestre de 2021 o transporte de cargas usando navios cresceu cerca de 9,4%, o que corresponde a uma movimentação de aproximadamente 590 milhões de toneladas. 

Um levantamento feito pelo Ministério da Infraestrutura, aponta que essa perspectiva de crescimento do setor portuário permanece otimista para os próximos anos. Programas como o BR do Mar prometem estimular o setor através do sistema de cabotagem (transporte entre portos de um mesmo país), aumentando a frota aquática nacional e diversificando a  matriz de transportes.

O desenvolvimento do sistema portuário demanda um enorme desafio para elaborar uma infraestrutura que seja eficaz operacionalmente e que não possua custos elevados, só assim, é possível que o setor tenha um crescimento sustentável. As condições de tempo e clima são um dos grandes desafios que interferem diretamente na operação dos navios e portos, consequentemente, podem prejudicar o seu desenvolvimento.

Vendavais, tempestades com raios e o aumento do nível médio do mar são os principais problemas que afetam diretamente a segurança dos portos e dos navios. Um estudo desenvolvido pela agência alemã GIZ, com a participação do INPE e ANTAQ, indicam que devido às mudanças climáticas, o aumento desses eventos cada vez mais severos, podem comprometer a operação de grande parte do sistema portuário brasileiro.

Como o monitoramento meteorológico pode contribuir para a operação portuária?

Antes do monitoramento meteorológico o acompanhamento das condições de tempo em portos era feito através da percepção humana, o que muitas vezes poderia colocar em risco a operação. Para ter um planejamento minucioso dentro dos portos, é indispensável a utilização de sistemas meteorológicos, uma vez que a transição de navios dentro dos portos e na costa depende diretamente das condições de tempo como o vento, chuva, variação do mar, visibilidade, ondas e correntes.

As principais atividades meteorológicas que auxiliam o setor portuário são:

  • Monitoramento e previsão de velocidade e rajadas de vento para terminais com manejo de contêineres.
  • Monitoramento e previsão de temperatura, umidade e chuva para armazenagem de cargas como de grãos, farelos e fertilizantes, evitando sua deterioração.
  • Acompanhamento das taxas de precipitação para determinação de abertura e fechamento de comportas.
  • Monitoramento de raios durante as manutenções, principalmente de equipamentos elétricos e eletrônicos.

A Climatempo possui soluções que integram todos esses serviços meteorológicos, acompanhe as informações no perfil da Climatempo INFRA e caso se interesse em implementar esse monitoramento no seu dia a dia, fale conosco através do email verticalinfra@climatempo.com.br.

Como o evento La Niña impacta a agenda ESG das empresas

O que é o La Niña?

O La Niña é o fenômeno climático-oceanico definido pelo resfriamento anormal das águas do oceano Pacifico, que ocasiona alterações sazonais na circulação geral da atmosfera. Esse fenômeno pode durar entre 9 a 12 meses e possui uma recorrência em um intervalo que pode variar geralmente de dois a sete anos.

Suas Principais características:

  • Alteração na circulação geral da atmosfera;
  • Alteração na temperatura em diversas áreas do globo;
  • Ocorrência de chuvas intensas em determinadas regiões e de seca em outras;
  • Resfriamento das águas do Pacifico Equatorial entre dois 2°C podendo chegar até 4°C;

Quais são os efeitos do La Niña no Brasil?

No Brasil os efeitos do La Niña impactam diversas regiões. No Norte e no Nordeste há um aumento significativo no volume de chuvas, já no Sul, o La Niña provoca seca e aumento na temperatura. No Centro-Oeste e Sudeste os efeitos desse fenômeno podem provocar chuvas intensas e queda na temperatura durante o verão.

O último La Niña ocorreu entre o final de 2021 e início de 2022, ocasionou chuvas intensas na Bahia, alagando diversos municípios do estado. Os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul enfrentaram uma seca severa, longos períodos sem chuva e altas temperaturas. Já em Minas Gerais, os elevados volumes de chuvas transbordaram os rios, provocaram deslizamentos e enchentes em alguns municípios.

Environmental, social and governance (ESG)

ESG corresponde às práticas ambientais, sociais e de governança de uma organização. Sua origem se deu em 2014 a partir de uma proposta realizada pelo secretário-geral da ONU (Kofi Annan) a aproximadamente 50 CEOs de grandes instituições financeiras, com o intuito de incorporar fatores sociais, ambientais e de governança no mercado de capitais.

Qual a importância do ESG para as empresas?

As questões ambientais, de governança e sociais tornaram-se essenciais para tomadas de decisões, tanto para o contexto das análises de riscos quanto para as decisões de investimentos. Por essa razão, o termo ESG vem ganhando notoriedade no mercado financeiro, colocando uma forte pressão no setor empresarial para que se adeque a essa nova realidade.

Segundo o relatório da PwC, 57% dos ativos de fundos mútuos na Europa irão considerar os critérios ESG para compor o seu conglomerado de ações até o ano de 2025, o que representa aproximadamente quase US$9 trilhões. O relatório também mostra que 77% dos investidores entrevistados pretendem parar de comprar ações de empresas que não adotarem os critérios ESG nos próximos dois anos.

Qual é a realidade ESG do Brasil?

Baseado na pesquisa “A evolução do ESG no Brasil” o tema ESG vem se difundindo no país nos últimos anos. Alguns indicadores que podem comprovar esse fato, é o Índice de Sustentabilidade Empresarial – ISE da B3, que mostra que o número de empresas inscritas em 2020 foi 69% maior do que no ano anterior. Assim como o levantamento realizado pela Morningstar e pela Capital Reset, também em 2020, mostrou que os fundos ESG captaram cerca de R$2,5 Bilhões, sendo que, mais da metade desses fundos havia sido criado a menos de 12 meses, demonstrando que a procura por esse segmento está aumentado.

Como o La Niña pode interferir na agenda ESG das empresas brasileiras esse ano?

A falta de chuva nos principais reservatórios brasileiros provocado pelo La Niña, pode levar o país a uma crise hídrica. Considerando que cerca 60% da geração de energia no Brasil é proveniente das hidrelétricas, há a possibilidade de entrarmos em um período de instabilidade no setor de energia. Logo, a falta de energia pode impactar diretamente e indiretamente toda a cadeia de produção das empresas.

Esse é mais um dos motivos para que as empresas se preocupem com as demandas ESG, pois além do incentivo que está sendo realizado pelo mercado financeiro, o cotidiano das organizações também está sendo diretamente influenciado pelas questões ambientais, sociais e de governança. Portanto, as companhias precisam estar atentas aos assuntos relacionados à temática ESG, para que se mantenham competitivas no mercado atual e futuro, e não apenas isso, também devem colocar em prática esses princípios.

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