Segundo produtores, demora no desenvolvimento das plantas ocasionou perdas de 15% na safra, em comparação com a colheita anterior

No ano passado, o El Niño influenciou diretamente o clima do Brasil, afetando diversas culturas. No Rio Grande do Sul, por exemplo, os altos volumes de chuva causados pelo fenômeno atrasaram o plantio de arroz em dois meses. Com isso, metade da área destinada ao grão não foi plantada na janela ideal. “Um dos principais impactos do El Niño foi justamente o aumento da pluviosidade na região”, explica Alexandre Nascimento, meteorologista da Climatempo.

Com as chuvas, os produtores gaúchos foram impedidos de plantar o arroz entre os meses de setembro e dezembro, que seria a época ideal. O processo acabou se estendendo até janeiro de 2016, causando a baixa produtividade da safra. Porém, mesmo com o plantio tardio, as lavouras não conseguiram escapar das chuvas, que continuam nesta fase de colheita. Desde fevereiro de 2016, a cidade de Porto Alegre vem acumulando volumes acima da média para o mês.  Em março, o que chamou a atenção foi o volume muito expressivo que caiu sobre Porto Alegre. Foram acumulados 302,5 milímetros, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), sendo que a média para o mês é de 104,7mm.

Segundo Maurício Fischer, diretor técnico do Instituto Rio Grandense do Arroz – IRGA, a projeção de perda é de 15% em comparação com o ano passado. “Teve gente que perdeu equipamento de irrigação e os rios encheram muito. Além da plantação, tivemos prejuízo na infraestrutura e agora na colheita”, conta.

De acordo com o especialista, anos de maior produtividade são aqueles que possuem o fenômeno La Niña, que são mais secos. “Ano passado o resultado foi de 8,700 mil toneladas e nesse ano apenas 8,300. A perda é quase toda a produção da Argentina”, afirma.

Até o fim do outono, o ar seco predomina sobre o Brasil e a maior parte das frentes frias deve ficar restrita ao Rio Grande do Sul na primeira quinzena de junho. Na segunda quinzena, mais massas frias avançam mais pelo país, mas sem frio intenso e/ou geada significativa. A tendência é que a chuva fique abaixo da média em junho e a temperatura perto do normal, finaliza Nascimento, meteorologista da Climatempo.