É muito comum, ao observar os comentários no site da Climatempo e nas redes sociais sobre Alta Subtropical do Atlântico Sul ASAS, lermos algo do tipo: “Xô ASAS! Ninguém te quer aqui!”, “Mais um verão de ASAS, agora que não chove nunca mais…”,  “Esse verão vai ser muito seco! Tá aí ela de novo! A ASAS!!!”, “Essa não!!! ASAS mais uma vez?”.  Será que a Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS), merece esse título de “vilã dos verões chuvosos”?

Primeiramente, quem é a Alta Subtropical do Atlântico Sul ASAS?

Trata-se de um sistema de alta pressão que possui assinatura em superfície com o seu giro anticiclônico, e em níveis médios atmosféricos, aproximadamente 6 km de altura em relação à superfície, no qual ela possibilita a subsidência do ar, isto é, o ar desce das camadas mais altas da atmosfera para as camadas mais baixas, impedindo a formação de nuvens carregadas. A subsidência inibe a chuva.

Esse sistema também é conhecido como Alta Semipermanente do Atlântico Sul, sendo o resultado da circulação global da atmosfera, isto é, o resultado da ascensão do ar na região equatorial e subsidência nas áreas subtropicais acarretando na formação de sistemas análogos como a Alta Subtropical do Pacífico Sul e a Alta dos Açores.

 

De fato, todos esses sistemas de alta pressão estão relacionados com ar seco, ou seja, impedem a formação de chuva e quando posicionados sobre as áreas continentais acarretam em bloqueios de fluxo, isto é, impedem o avanço de frentes frias e baixas pressões atmosféricas superficiais para a região.

Sendo assim, não é a ASAS que é a “vilã” dos verões chuvosos, na realidade tudo depende do seu posicionamento, que está diretamente relacionado com as condições oceânicas locais.

ASAS também auxilia na chuva sobre o Sudeste

Agora que nós deixamos de encarar a Alta Subtropical do Atlântico Sul ASAS como vilã, você sabia que esse sistema também pode auxiliar na manutenção da chuva pelo Sudeste?

Quando a Alta Subtropical do Atlântico Sul encontra-se com o seu centro sobre as áreas também centrais do Oceano Atlântico Sul isso faz com que a sua região de borda empurre a umidade do mar para as áreas costeiras e favorece assim a organização de áreas de chuva.

Esse mesmo posicionamento é responsável por fazer com que as frentes frias encontrem dificuldade para avançar em direção ao alto mar, provocando a organização de corredores de umidade sobre o interior do Brasil e até mesmo auxiliando as Zonas de Convergência do Atlântico Sul ZCAS.

Confira alguns materiais

 

Quem se beneficia com Alta Subtropical do Atlântico Sul ASAS continental?

Por mais que a ASAS posicionada sobre áreas continentais seja um problema para a manutenção das chuvas e acarrete assim em problemas para diversos setores, como por exemplo, o setor energético e as empresas de fornecimento de água, essa condição meteorológica pode beneficiar diversos ramos da economia e indústria.

Por exemplo, em casos de formação de bloqueios promovidos pela ASAS o mar tende a não ter tanta agitação, afinal as pistas de vento que perturbam o mar não são formadas com tanta facilidade. Dessa forma, as plataformas de extração de petróleo no mar (offshore) são beneficiadas, pois ventos e ondas fortes podem prejudicar o andamento das operações locais e em algumas situações até a destruição da plataforma com acidentes ambientais.

Se não tem frente fria, não tem ar polar, se não tem ar polar, não tem frio. Dessa forma o varejo especializado em verão com altas temperaturas, bebidas, sorvetes, protetores solar, etc, tendem a aumentar as suas vendas.